02/03/2026
Durante décadas, bebês foram operados com pouca ou nenhuma anestesia porque a ciência acreditava que eles não sentiam dor “de verdade”. Hoje sabemos que isso não é apenas falso, é grave.
Um estudo publicado na eLife em 2015 mostrou, por meio de ressonância magnética funcional, que recém-nascidos ativam praticamente as mesmas redes cerebrais de dor que adultos diante de um estímulo doloroso e com um limiar ainda menor. Ou seja: bebês sentem dor, e podem ser até mais sensíveis a ela.
A ciência é fundamental. Mas ela é humana: revisa, corrige, evolui. O problema começa quando usamos “a ciência” para silenciar a experiência do corpo.
O bebê pode não lembrar da história, mas o corpo registra. Quando há dor sem alívio, estresse sem acolhimento, isso pode se traduzir em padrões de hiperalerta, hipervigilância, congelamento ou desligamento ao longo da vida.
A boa notícia? O mesmo corpo que registra também pode liberar. A ciência que um dia negou pode, hoje, servir ao cuidado, à proteção e à dignidade especialmente de quem ainda não tem voz.
Se você já acessou memórias precoces, físicas ou emocionais, e conseguiu ressignificá-las, compartilhe sua experiência nos comentários.