18/05/2018
Modelo de medicina precisa mudar com o envelhecimento da população
Mais atividade física, alimentação equilibrada, monitoramento de doenças crônicas, menos exames e visitas a médicos de dezenas de especialidades diferentes. De acordo com Dr. Renato Veras, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e diretor da Universidade Aberta da Terceira Idade (UnATI/UERJ), esse modelo que ele chama de “medicina mais leve” tem se mostrado mais adequado ao novo perfil demográfico brasileiro, no qual a população vive mais, impactando não apenas a saúde, mas diversos setores da economia.
“A medicina precisa entender que o padrão das doenças mudou, doença crônica não cura, ela estabiliza, quando está instalada não regride mais, a pessoa vai com ela até o final da vida. E isso o médico não gosta de ouvir. Acha que o papel da medicina é curar, o papel é pensar diferente”, afirma Veras, explicando que se uma pessoa que adquire diabetes aos 50 anos tiver o acompanhamento médico adequado, viverá 30, 40 anos com a doença.
De acordo com o médico Alberto Ogata, da FGV, o sistema precisa estar separado para esse cenário de aumento de doenças crônicas, no qual, segundo ele, um terço da população adulta tem hipertensão. “Discutir somente cirurgias, tratamento do câncer não é o suficiente porque cada vez tem mais gente precisando do sistema de saúde, que tem que estar preparado e ainda está totalmente fragmentado”.