02/02/2026
Sobre família!!!! Ganhei este lindo presente este final de semana no encontro dos primos da minha família
Quero dividir com vocês.
Gratidão a meus antepassados.
Há crianças feridas que aprenderam cedo demais a se esconder dentro do silêncio.
Elas cresceram. Vestiram corpos adultos. Cumpriram papéis. Aprenderam a funcionar.
Mas nunca deixaram de existir.
Vivem recolhidas atrás de defesas que o mundo chama de dureza, impaciência ou frieza.
Não porque sejam difíceis, mas porque foram feridas quando ainda precisavam de colo.
Não porque não amem, mas porque amar um dia doeu mais do que conseguiam suportar.
Essas crianças internas não pedem explicações.
Pedem segurança.
Pedem tempo.
Pedem um olhar que não julgue, uma presença que não invada, uma voz que não exija.
Há adultos que aprenderam a sobreviver antes de aprender a sentir.
Que confundem silêncio com indiferença, controle com força, distância com maturidade.
Mas, por dentro, ainda tremem diante da possibilidade de serem rejeitados outra vez.
Ser um adulto “difícil” quase sempre é ser uma criança que não foi acolhida quando precisou.
É carregar perguntas que nunca foram respondidas.
É ter aprendido a se proteger antes de aprender a confiar.
Por isso, serenidade é remédio.
Não confronto.
Não pressa.
Não cobrança.
A cura dessas crianças não acontece no choque, mas no cuidado contínuo.
No gesto simples que não ameaça.
Na escuta que não tenta corrigir.
No amor que permanece mesmo quando não recebe retorno imediato.
Todo adulto carrega uma história que o mundo não viu.
E algumas histórias doem tanto que moldam o jeito de existir.
Quando encontramos alguém assim, não estamos diante de alguém difícil, mas de alguém cansado.
Que o olhar seja mais gentil.
Que a palavra seja mais leve.
Que o coração saiba reconhecer onde há rigidez por fora e fragilidade por dentro.
Porque quando uma criança ferida é finalmente acolhida, algo muito bonito acontece.
O adulto descansa.
A alma respira.
E o mundo, ainda que um pouco, se torna mais humano.