Gerontóloga Anabel Machado

Gerontóloga Anabel Machado Anabel Machado | Gerontóloga pela UFSCar

11/02/2026

A cultura contemporânea transformou o tempo em algo sempre negociável, sempre adiável, especialmente quando se trata das relações com pessoas mais velhas. Naturalizamos a ideia de que o convívio intergeracional pode esperar, como se ele não fosse parte estruturante da forma como envelhecemos… individual e coletivamente.

O que me inquieta na imagem evocada por Debía Tirar Más Fotos, do Bad Bunny, não é a ausência em si, mas o percurso cultural que leva até ela. Vivemos em uma lógica que valoriza o novo, o produtivo, o rápido, e empurra o envelhecimento para as margens da vida social, tratando a convivência com pessoas idosas como algo opcional, periférico ou secundário.

Na prática, isso fragiliza a transmissão de memória, rompe continuidades e empobrece a experiência de todas as gerações envolvidas. Não é apenas quem envelhece que perde quando os vínculos se enfraquecem; é a própria noção de pertencimento que se dissolve.

Escrevo isso também em primeira pessoa, porque ninguém está fora dessa engrenagem. Questionar essa cultura exige mais do que intenção. Exige revisão cotidiana das prioridades, dos ritmos e das presenças que escolhemos sustentar.

Talvez o incômodo maior não seja a cadeira vazia, mas o quanto nos acostumamos com a ideia de que ela é inevitável.

Envelhecer não dói.O que dói é envelhecer sem cuidado. Vamos às evidências? Hoje, estudos populacionais mostram que cerc...
10/02/2026

Envelhecer não dói.
O que dói é envelhecer sem cuidado.

Vamos às evidências?
Hoje, estudos populacionais mostram que cerca de 10% a 20% dos idosos que vivem na comunidade já são frágeis, e esse número ultrapassa 30% nas idades mais avançadas. Fragilidade não é sinônimo de doença: é perda de reserva fisiológica, cognitiva e social.
E não, isso não começa aos 80.

No Brasil, dados do IBGE indicam que quase 1 em cada 10 pessoas com 60+ já apresenta limitação para atividades básicas da vida diária. Quando olhamos para as atividades instrumentais (como sair sozinha, lidar com dinheiro, usar transporte), esse número cresce ainda mais. Autonomia não some de uma vez… ela vai sendo reduzida em camadas!

O que conecta esses dados não é a idade, e sim a cultura da não-prevenção.

Fomos educados para procurar cuidado quando algo “quebra”: após a queda, após a internação, após o esquecimento virar risco. Vivemos apagando incêndios quando falamos da saúde dos nossos pais e avós.

Sistemas de saúde, políticas públicas e até famílias ainda operam majoritariamente no modo reativo. Isso explica por que cuidamos tão bem da crise, e tão mal da trajetória.

O movimento wellness trouxe uma ruptura relevante nesse cenário. Pela primeira vez, prevenção virou conversa cotidiana e até hype. Entre os jovens se fala de rotina, hábito, consistência. Estamos parando de beber, trocando a balada pelo spinning e a corrida virou point. Não por acaso, o mercado global de wellness já ultrapassa US$ 1,8 trilhão, impulsionado por práticas preventivas.

O problema é quando essa lógica para na estética e na performance, e não atravessa o envelhecimento.

Porque é exatamente aí que o impacto é maior.
A OMS, com a agenda da Década do Envelhecimento Saudável, é clara: sistemas precisam sair do foco exclusivo em doenças e passar a sustentar capacidade funcional ao longo da vida, com cuidado integrado, acompanhamento contínuo e ações antes da dependência se instalar. Prevenir fragilidade não é luxo, e sim política pública inteligente.

No fim, a pergunta não é motivacional.
É estrutural e pessoal ao mesmo tempo: o que fazemos hoje reduz ou aumenta a probabilidade de fragilidade amanhã?

06/02/2026

Num dia desses, numa conversa de corredor, uma paciente minha comentou que parecia que, ultimamente, só coisas ruins estavam acontecendo. Não foi um bem um desabafo, foi mais um cansaço acumulado. A amiga que estava ao lado ouviu e respondeu com uma simplicidade que me atravessou: “calma, dias felizes acontecem”.

Fiquei com isso na cabeça nesses últimos dias. Porque não era uma tentativa de minimizar o que estava difícil, nem de “pensar positivo”. Era só um lembrete gentil de que a vida não se organiza em fases bem definidas de sofrimento e felicidade. As coisas acontecem tudo de um jeito meio misturado.

A gente passa por períodos duros e, mesmo assim, em algum lugar do caminho, ainda ri, ainda encontra pessoas queridas, ainda vive momentos bons… às vezes tão pequenos que quase passam despercebidos. E é aqui que tá a beleza do ordinário.

Daí me lembrei do que aprendi com Tish Warren, uns anos atrás, quando li A Liturgia do Ordinário (que f**a de recomendação). No meio de tudo isso, eu tenho aprendido que existe uma beleza silenciosa no ordinário… na vida como ela é, nos dias comuns, nos gestos simples que continuam acontecendo mesmo quando nada parece especial. Esses momentos não apagam o que dói, mas existem. E contam.

Esse vídeo é um recorte de alguns bons momentos dos últimos dias. Não como prova de que está tudo bem o tempo todo (até por que, perrengue a gente tem todo dia), mas como lembrança de que dias felizes não param de existir só porque uma fase tá difícil. Eles seguem acontecendo, no meio da bagunça, do jeito que da pra acontecer

Estimulação cognitiva ef**az exige mais do que boas atividades.Ela depende de planejamento, objetivos terapêuticos claro...
29/01/2026

Estimulação cognitiva ef**az exige mais do que boas atividades.

Ela depende de planejamento, objetivos terapêuticos claros e adequação ao perfil cognitivo; especialmente em contextos de alta escolaridade.

Quando a intervenção é bem estruturada, o engajamento é consequência, o desafio é calibrado e o processo se sustenta no longo prazo, inclusive como estratégia de prevenção.

👉 Para profissionais que buscam estruturar suas sessões com mais intencionalidade e consistência, o PlanejaCog está disponível no link da bio.

Tem bastante gente nova chegando por aqui, então permitam-me apresentar  🤍Eu sou a Anabel. Sou gerontóloga, trabalho dir...
27/01/2026

Tem bastante gente nova chegando por aqui, então permitam-me apresentar 🤍

Eu sou a Anabel. Sou gerontóloga, trabalho diretamente com pessoas idosas e suas famílias e, acima de tudo, acredito que envelhecer precisa ser vivido com dignidade, autonomia e sentido; não apenas tratado como um problema a ser resolvido.

Meu propósito na gerontologia é transformar conhecimento em cuidado real, daqueles que respeitam a história, o tempo e a singularidade de cada pessoa.

Na prática, atuo com avaliação gerontológica, estimulação cognitiva, inclusão digital e construção de planos de cuidado que façam sentido na vida de cada paciente.

Fora do consultório, sou alguém que acredita em relações, em comunidade, em fé, em família e em um trabalho que caiba na vida; e não o contrário.

E ainda, aqui no digital, tenho me dedicado a criar produtos como workshops, mentorias, o Geronto com Propósito e o PlanejaCog: caminhos para profissionais que querem estruturar seus serviços, se posicionar com ética e trabalhar com mais segurança, clareza e propósito na área da longevidade.

Por aqui eu compartilho ciência aplicada ao envelhecimento, bastidores honestos da rotina profissional, reflexões profundas sobre cuidado e também escolhas pessoais que atravessam o ser gerontóloga todos os dias.

Se você se identif**a com essa forma de cuidar e de viver a profissão, fique por aqui.

✨Continue acompanhando e compartilhe com quem também acredita em uma gerontologia mais humana, consciente e possível.

Se você trabalha com estimulação cognitiva, fique aqui comigo. Sabe, a maioria dos profissionais não precisa de “mais id...
19/01/2026

Se você trabalha com estimulação cognitiva, fique aqui comigo.

Sabe, a maioria dos profissionais não precisa de “mais ideias”, e sim de estrutura.

Porque atender pessoas idosas com segurança exige sessão bem conduzida, objetivo, adaptação por perfil e material que sustenta o processo, pra além da criatividade.

O PlanejaCog é o meu banco mensal de atividades cognitivas em PDF, feito a partir do que eu aplico de verdade na prática clínica

Pensado pra olharmos para a semana e pensarmos:
“bem, eu sei exatamente o que vou aplicar com cada paciente, e por quê.”

Se quiser, eu te envio os detalhes no direct.
Comenta aqui PLANEJA, que te envio o link de acesso.

Play no primeiro dia útil do ano, depois de 10 dias de férias, festas e muitos sorrisos 🤍✨🙏🏻Que esse seja um ano leve, p...
05/01/2026

Play no primeiro dia útil do ano, depois de 10 dias de férias, festas e muitos sorrisos 🤍✨🙏🏻

Que esse seja um ano leve, próspero e cheio de signif**ado por aqui, e por aí também!

30/12/2025

What a wonderful year 🥹❤️ obrigada por tanto, 2025!

✨ A idade musical do Spotify viralizou, mas pouca gente entendeu o que esse número realmente signif**a. Ele não fala da ...
04/12/2025

✨ A idade musical do Spotify viralizou, mas pouca gente entendeu o que esse número realmente signif**a. Ele não fala da sua idade e sim das gerações que construíram o seu repertório cultural.

A música é um dos marcadores mais fortes da nossa trajetória. Ela nasce das casas onde crescemos, das convivências que tivemos, das referências familiares, das festas, das viagens e até dos silêncios que moldaram quem nos tornamos.

Na gerontologia, chamamos isso de socialização intergeracional. Quando diferentes idades convivem, elas trocam repertórios, criam novas referências e deixam marcas umas nas outras. Por isso, é comum alguém de 25 ter “idade musical de 60” e alguém de 70 ter “idade musical de 20”. Isso não fala sobre ser jovem ou velho. Fala sobre contexto, afeto e formação cultural.

No fim, a sua playlist é só o registro das histórias que passaram por você e das gerações que te atravessaram.

🎧💫
E aí, qual foi a sua idade musical no Spotify?

Endereço

São Carlos, SP

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