11/02/2026
A cultura contemporânea transformou o tempo em algo sempre negociável, sempre adiável, especialmente quando se trata das relações com pessoas mais velhas. Naturalizamos a ideia de que o convívio intergeracional pode esperar, como se ele não fosse parte estruturante da forma como envelhecemos… individual e coletivamente.
O que me inquieta na imagem evocada por Debía Tirar Más Fotos, do Bad Bunny, não é a ausência em si, mas o percurso cultural que leva até ela. Vivemos em uma lógica que valoriza o novo, o produtivo, o rápido, e empurra o envelhecimento para as margens da vida social, tratando a convivência com pessoas idosas como algo opcional, periférico ou secundário.
Na prática, isso fragiliza a transmissão de memória, rompe continuidades e empobrece a experiência de todas as gerações envolvidas. Não é apenas quem envelhece que perde quando os vínculos se enfraquecem; é a própria noção de pertencimento que se dissolve.
Escrevo isso também em primeira pessoa, porque ninguém está fora dessa engrenagem. Questionar essa cultura exige mais do que intenção. Exige revisão cotidiana das prioridades, dos ritmos e das presenças que escolhemos sustentar.
Talvez o incômodo maior não seja a cadeira vazia, mas o quanto nos acostumamos com a ideia de que ela é inevitável.