28/11/2025
No ritmo acelerado da vida moderna, muitos hábitos antigos foram ficando pelo caminho. Entre eles, a contemplação.
Hoje, passamos boa parte do tempo olhando para baixo. Houve um tempo, no entanto, em que contemplar o horizonte era um hábito comum, uma pausa natural, um instinto que se perdeu.
Se perdeu, porque mudou o contexto: vida urbana, tecnológica, cronometrada. Um cotidiano sem tempo, espaço ou geografia que nos permita lembrar dessa prática.
Não à toa, nos sentimos cansados porque nossos descansos não alcançam o cérebro. Passamos horas com os olhos fixos em telas próximas, e isso sobrecarrega o nosso campo de atenção e compromete a regulação emocional.
Por outro lado, olhar para o horizonte ativa o sistema de atenção involuntária — uma via neural que permite ao cérebro descansar sem se desligar por completo. Esse estado, chamado atenção restaurativa, reduz a sobrecarga cognitiva, a irritabilidade e o cansaço mental crônico.
Contemplar o horizonte oferece uma trégua ao sistema nervoso, constantemente estimulado pelas telas e pelas tarefas fragmentadas.
Considere retomar essa prática. Fique alguns minutos apenas olhando para o longe. Sem pressa. Sem metas. Sem tentar produzir nada. Apenas esteja ali.
Um hábito simples, que ainda cabe na rotina, se a gente quiser!
Dra. Camila Monteiro