24/09/2025
Alguém aí ainda não aderiu ao uso das chaleiras elétricas? Há duas semanas a minha resolveu deixar de funcionar. Muito bem! Logo pensei que iria adquirir uma nova, mas enquanto isso tive que procurar por uma chaleira "normal", como a que ilustra esta legenda, esquecida no fundo do armário embaixo da pia da cozinha. Lá estava ela, abandonada, mas em perfeitas condições. É daquelas que quando a água ferve, soa um apito. Funciona a partir de uma fonte de calor. A mais moderna versão antes de tornar-se obsoleta com o advento da chaleira elétrica! Acontece que estou pensando melhor sobre adquirir outra dessa versão moderna à eletricidade!
Percebi que a chaleira convencional que apita, está trazendo para minha vida uma nova relação com o tempo de preparar meus cafés e chás e minhas refeições. Uma relação com o tempo, que já vivi anteriormente, e que reviver na relação com a chaleira, tem sido prazeroso! Um tempo de esperar, diferente do tempo de ouvir o click da chaleira elétrica. É preciso f**ar atenta, pois ela vai apitar, não é como a chaleira elétrica que desliga sozinha, sem grandes alardes, sem chamar atenção e f**a lá quietinha, passiva, inerte, parada. A chaleira convencional não! Ela primeiro sussurra um som como um lamento, em seguida bufa, e cada vez mais alto, numa excitação crescente que de repente se torna um grito, cada vez mais alto e estridente... ela não pede socorro, ela é exigente, é preciso largar o que estiver fazendo e correr para acudi-la! Ufa! E também, antes disso, não se pode ter pressa, ela tem seu tempo, nisso ambas até são parecidas, mas como tudo mais contemporâneo, me parece que a elétrica é mais acelerada, meio, digamos, ligada no 220!!!
É sobre chaleiras, mas também sobre esse tempo que vivemos, onde parece que cada segundo importa, onde é possível e desejável acelerar os tempos, do vídeo, do áudio, do reels... dos outros, no trânsito, na fila do elevador, na escada rolante... na verdade ter que esperar ou não poder controlar o tempo do outro, mesmo que aqui no caso, o outro seja uma simples chaleira, pode ser um exercício narcísico e, portanto, de alteridade, muito interessante e que estamos nos desacostumando de praticar!