10/10/2019
Sábado, 12/10 (dia das crianças )
Último dom de cura do coração
Contar histórias
Contar histórias é uma arte. Arte que cura pelo coração. O contador de histórias é um soprador de sonhos, conecta-se com a alma, traz para o momento presente a sabedoria do passado, as narrativas dos deuses e das deusas, dos santos e das santas, dos seres de outros planos. Narrando histórias reais, imaginadas, psicografadas, previstas, traz a cura para ele próprio e para quem o ouve ou lê.
Desde crianças somos embalados por contos de fadas, lendas, narrativas de nossos antepassados e histórias religiosas. E partilhamos nossas próprias histórias. Ao fazer isso seguimos um padrão que a humanidade perpetua há séculos, a transmissão dos saberes e do conhecimento pela oralidade, pela escrita, pelo desenho, pela música. Da reverência ao sagrado à transmissão do conhecimento, tudo começa com uma história. Até algumas orações formam um pequeno conto.
Histórias são criações da mente, mas também da alma. Recontá-las, entrar em contato com a sabedoria que elas trazem, ajuda a curar dores e a transmutar o que estava fechado numa caixa.
Em culturas ancestrais, como entre os povos nativos americanos, o contador de histórias era festejado por transmitir conhecimento, histórias dos antepassados, notícias sobre outros tribos e sonhos de cura.
Da lenda de Sherazade – que salvou a própria vida contando histórias por 1001 noites a um rei assassino –, a Jesus, que pregou em seus sermões utilizando-se de parábolas, o ato de narrar atravessou os séculos e desembarcou na psicanálise. Contar os acontecimentos em voz alta a um interlocutor ajuda a elaborar os problemas que nos angustiam e a trazer luz e compreensão para questões que pareciam sem solução.
Até mesmo os contos de fadas são encarados por Jung como representações viáveis para solucionar problemas. Ao ouvir, ler ou escrever uma história, me coloco no lugar dos personagens. E assim, mesmo os processos mais dolorosos podem ser digeridos por via de alegorias e metáforas. Os mecanismos de defesa se afrouxam, dando espaço para o inconsciente abrir um canal para as possibilidades e soluções das narrativas e da sua própria história.
A palavra cura. A palavra cria, transforma.
E também pode destruir..
Texto: Senra