23/02/2026
Ficar algumas horas longe das telas do celular ou do computador pode gerar inquietação, ansiedade e até irritação. Para muitas pessoas, o desconforto surge mesmo em momentos de lazer ou contato com a natureza.
A dificuldade de se desconectar das tecnologias, segundo especialistas, não é apenas um hábito ruim — é resultado de adaptações do cérebro a um ambiente de estímulos constantes.
O uso intenso de telas ativa circuitos ligados à recompensa, à antecipação e ao alerta. Com o tempo, o organismo passa a funcionar em estado de vigilância contínua, o que interfere na capacidade de relaxar e desacelerar.
A psicóloga Carmela Silveira, da Santa Casa de São José dos Campos, explica que o cérebro humano não foi projetado para lidar com estímulos múltiplos e imprevisíveis ao longo de todo o dia.
“A tecnologia ativa circuitos de alerta, recompensa e antecipação o tempo todo”, afirma.
Segundo ela, essa exposição frequente vai substituindo o estado natural de presença por um funcionamento permanente de vigilância. “Não é fraqueza individual: é uma adaptação neuroemocional a um ambiente hiperestimulante”, diz.
Na prática, cada notificação, curtida ou vídeo curto oferece uma pequena recompensa imediata. O cérebro, altamente sensível à novidade, aprende rapidamente a preferir esse tipo de estímulo.
A psicóloga Quezia Lucena de Almeida, do Complexo Hospitalar Santa Casa de Bragança Paulista, explica que as plataformas digitais foram construídas justamente com esse mecanismo em mente.
“A tecnologia digital ativa diretamente esse sistema. O cérebro humano é altamente sensível à novidade, à antecipação e à possibilidade de recompensa”, diz.
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