05/05/2025
A GRANDE SAÚDE - Friedrich Nietzsche -
“Nos, os novos, sem nome, de difícil compreensão” - diz-se ali - “ nós, rebentos prematuros de um futuro ainda não provado, nós necessitamos, para um novo fim, também de um novo meio, ou seja, de uma nova saúde, mais forte alerta alegre firme audaz que todas a saúdes até agora. Aquele cuja alma almeja haver vivido o inteiro compasso dos valores e desejos até então havidos, e haver velejado as praias todas desse “Mediterrâneo” ideal, aquele que quer, das aventuras da vivência mais sua, saber como sente um descobridor e conquistador do ideal, e também um artista, um santo, um legislador, um sábio, um erudito, um beato, um indivíduo eremita de outrora: para isso necessita mais e antes de tudo uma coisa, a grande saúde - uma tal que não apenas se tem, mas constantemente se adquire e é preciso adquirir, pois sempre de novo se abandona e é preciso abandonar… E agora, após termos estado por largo tempo assim a caminho, nós, argonautas do Ideal, mais corajosos talvez do que seria prudente, e com frequência náufragos e sofridos, mas, como se disse, mas são os do que nos concederiam, perigosamente, sempre novamente sãos - quer nos parecer como se tivéssemos, como paga por isso, uma terra ainda desconhecida à nossa frente, cujos limites ainda ninguém divisou, um além de todos os cantos e quadrantes do ideal, um mundo tão potente do que é belo, estranho, questionável, terrível, divino, que tanto nossa curiosidade como nossa sede de posse cai fora de si -(.)
Ecce Homo, p.84
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