18/03/2026
Confesso que é difícil vir aqui hoje como médico e não falar com indignação.
Uma colega de profissão, a médica Andrea Marins Dias, de 61 anos, perdeu a vida após ser baleada durante uma perseguição policial no Rio de Janeiro. Segundo as informações divulgadas pela imprensa, houve uma troca de tiros e o carro dela pode ter sido confundido com o de suspeitos.
Mas, sinceramente, em que momento isso passou a ser “normal”?
A gente passa anos estudando, se dedicando, cuidando de pessoas, tentando salvar vidas todos os dias… e mesmo assim, não estamos seguros nem voltando para casa.
Hoje não é só sobre uma médica. É sobre uma vida interrompida. É sobre uma profissional que dedicou décadas ao cuidado de outras pessoas. É sobre uma família que perdeu alguém.
E é também sobre o quanto a violência tem atravessado a vida de todo mundo, inclusive de quem cuida.
Como médico, eu falo muito sobre prevenção, sobre cuidar da saúde, sobre qualidade de vida. Mas que saúde é possível quando o básico, a segurança, não está garantido?
A gente não pode normalizar esse tipo de notícia. Não pode tratar como só mais um caso.
Porque por trás de cada manchete, existe uma história, uma trajetória, um propósito que foi interrompido.
Hoje, mais do que um conteúdo de saúde, esse é um momento de respeito e de reflexão.
Que tipo de sociedade a gente está construindo?