14/08/2025
Quem me acompanha por aqui sabe que esta página nunca traz nada pessoal.Mas, desta vez, achei importante abrir um pouco essa janela.
Há uma semana, deixei de estar apenas do lado de quem cuida… e passei para o lado de quem sente.
Rompi o meu tendão de Aquiles e, de repente, me vi vivendo o que, até então, só acompanhava nos meus pacientes: pronto-socorro, espera por exames, 3 dias aguardando a ressonância, a difícil decisão entre cirurgia ou tratamento conservador, adaptação da rotina e a expectativa pela recuperação.
Nesses poucos dias já enfrentei situações que sempre soube na teoria: a falta de acessibilidade é muito diferente quando se vive na pele. Locais sem cadeiras, banheiros inacessíveis, trajetos impossíveis… coisas que antes eu apenas reconhecia agora ganharam um peso real.
Vieram também as frustrações: adaptar minha rotina de trabalho me impactou demais, depender de ajuda para tarefas simples – e perceber que ensinar alguém a usar muletas é muito mais fácil do que usá-las no dia a dia.
Não poder treinar como antes, reorganizar minha vida social… e, a propósito, , as peças lindas que recebi na semana passada terão que esperar para serem usadas, já que minha bota Robofoot será a peça principal do meu look pelos próximos 2 meses (risos).
Mas, como sempre ensino, não poder treinar perna não significa não treinar. Exercício pode – e deve – ser adaptado sempre. O corpo se adapta. A mente também.
Agora, como paciente e fisioterapeuta, percebo que estar do outro lado também ensina. Essa experiência me torna ainda mais consciente do meu papel na reabilitação, porque, embora o conhecimento técnico seja essencial, viver a vulnerabilidade na própria pele amplia a compreensão e a empatia.
Sentir as limitações, as incertezas e os desafios de manter-se ativo me faz enxergar cada etapa do tratamento de forma mais humana — e me fortalece como profissional e como pessoa.
💪 Que venha a reabilitação!