03/11/2025
Se Ainda Houver Amor
Não escrevo pra ferir,
nem pra cobrar.
Escrevo porque o amor cala
quando o medo toma o lugar das palavras.
Não quero o fim,
quero o reencontro.
Quero o brilho antigo nos olhos,
o toque que dizia tudo
sem precisar dizer nada.
Ainda lembro da leveza,
do riso solto,
da calma que só existia
quando você me olhava
como quem volta pra casa.
Hoje o silêncio pesa,
mas ainda há esperança.
Porque o que é verdadeiro
não se perde —
às vezes apenas adormece
à espera de um gesto,
de uma vontade de ficar.
Não quero fingir que está tudo bem,
nem transformar o amor em costume.
Quero presença,
quero verdade,
quero um “estou aqui”
dito com alma.
Se ainda houver amor,
que a gente o cuide com ternura,
sem pressa,
sem orgulho.
Que a gente reaprenda o toque,
a conversa,
o riso,
a cumplicidade.
E se o destino quiser,
que o amor reencontre o caminho —
porque dentro de mim,
ele ainda existe.
Mais sereno, mais maduro,
mas ainda vivo.
Ainda acredito.
Acredito no “nós” que um dia fomos,
e no que ainda podemos ser
se nos permitirmos amar
de novo,
com o mesmo coração —
só um pouco mais sábio.
(por Célia R. Valentim Rampasio, Psicóloga – CRP 6/128481)
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Muitos casais acreditam que buscar ajuda é admitir o fracasso —
mas, na verdade, é um ato de coragem emocional.
A terapia de casal (ou mesmo a individual) não serve apenas para reparar o que foi quebrado,
mas para compreender o que se perdeu no caminho:
a escuta, o afeto, o tempo de olhar o outro com curiosidade e não com defesa.
Quando o amor ainda existe, ele pode ser reconstruído.
Mas, para isso, é preciso escolher permanecer com consciência,
reaprender a dialogar, e reconhecer o próprio papel na história que se quer reescrever.
Procurar terapia não é desistir do amor —
é dar a ele a chance de florescer com mais verdade e menos dor.