17/11/2025
Minha Consciência não veio da Academia: veio de quem varre o Brasil
Em consonância com a semana da Consciência Negra, decidi articular alguns estudos recentes, com uma passagem fundamental da minha história. Meu objetivo é falar sobre a importância da consciência política, tão cara e por vezes tão rara a quem realiza fazeres ligados às Humanidades.
Sou filha de uma mulher negra, baiana, que, dentre inúmeras outras qualidades, realiza o trabalho primordial de varrer as ruas, como disse uma criança “ela varre o Brasil”. Não me cabe entrar nas vivências de violência que ela sofreu, por respeito à sua história. Falarei dos atravessamentos de tê-la como mãe, em minha trajetória.
Minha ancestralidade, forjou a racionalidade e a emocionalidade que me permitiram, desde muito cedo nesse ambiente familiar, perceber a importância dos fazeres políticos: desde a linguagem e a memória (individual e coletiva), até o funcionamento das relações de poder, a importância dos movimentos sociais e o comportamento eleitoral. A consciência sempre foi base. Isso ressoa com o que escutei recentemente: a família e o indivíduo são o ponto de partida para que a consciência e a sensibilidade política se criem e se propaguem para o âmbito público.
Fui, com isso, privilegiada, pois desde muito cedo tive acesso à verdade brasileira, um país colonizado sob uma lógica estruturalmente ra***ta, machista, extremamente desigual. Isso faz com que minha posição no mundo seja outra. A crítica e a busca por uma ação transformadora, em uma ética antirra***ta, feminista, que reconhece a luta de classes, suas alienações e ideologias, vieram de berço, do contexto social onde fui criada.
Ao observar alguns fazeres (com minhas inúmeras limitações), sei que essa vivência me diferencia e muito de vários profissionais que conheço, ao mesmo tempo que me aproxima de tantos outros, que não apenas têm, mais do que isso, FAZEM conscientização. Enfatizo o que disse em seu post sobre letramento racial, a participação ativa, verdadeiramente antirra***ta na sociedade, é uma questão de responsabilidade. E acrescento: essa responsabilidade é devida, especialmente, pela branquitude.