12/02/2026
Mulheres que trabalham e constroem uma carreira conhecem bem a dose de agressividade e competitividade que o mercado de trabalho impõe. Gostaríamos de viver em um mundo menos competitivo — sim, gostaríamos — e cada uma de nós pode, à sua maneira, construir agendas que caminhem nessa direção. Ainda assim, ninguém inventou uma fórmula mágica para as regras do mercado de trabalho. Mesmo para aquelas que querem fazer a diferença, na construção de um mundo mais inclusivo e colaborativo, precisam ocupar lugares de poder e, mais do que isso, sustentar esses lugares.
A tensão aumenta quando essa mesma mulher é também mãe. Porque, se no trabalho nos é exigida assertividade, firmeza e resistência à pressão, na maternidade a mulher é convocada à disponibilidade afetiva, e ao cuidado. De um lado, o imperativo da performance; de outro, o imperativo da presença.
O mercado premia a objetividade e a rapidez. A maternidade exige tempo lento, escuta, repetição. Os espaços de poder cobram energia expansiva; o cuidado pede recolhimento e vínculo. São lógicas distintas que atravessam a mesma psique.
Sustentar essas duas forças sem cindir é um dos grandes desafios contemporâneos. Não se trata de escolher entre poder e amor, mas de suportar a tensão entre estas dinâmicas — sem romantizar a exaustão e sem negar a ambição. E esta contradição não está na mulher, está nas regras de um jogo que somos chamadas a jogar, e para o qual, o custo é psíquico e emocional, e no caso da exaustão, o estereótipo que cola é o de frágil emocionalmente, ou incompetente profissionalmente. E sim, faltou a inclusão do pai, marido, companheiro... pois é assim, que algumas de minhas pacientes chegam na clínica, sozinhas, mesmo que aparentemente acompanhadas.