23/03/2026
Tem um ponto curioso (e profundamente humano) que começa a aparecer conforme uma empresa cresce:
Aquela pessoa que sempre resolveu tudo, que era rápida, disponível, quase “onipresente”… de repente passa a ser vista como difícil, resistente, “diferente”.
E o olhar imediato do líder costuma ser:
“Fulano era tão bom… deve estar passando por problemas pessoais..”
Mas a psicanálise ensina a gente a olhar para além do comportamento e perguntar: o que esse sintoma está tentando dizer?
Porque, muitas vezes, não foi a pessoa que mudou.
Foi o sistema que cresceu e manteve ela no mesmo lugar.
Freud já falava que quando uma função psíquica f**a fixada, sem possibilidade de movimento, ela deixa de ser saudável e começa a gerar tensão.
Nas organizações, isso aparece assim:
uma pessoa que foi reconhecida por “dar conta de tudo” passa a ser inconscientemente convocada a sustentar esse lugar… mesmo quando ele já não faz mais sentido.
E aí nasce o conflito.
De um lado, a empresa exigindo expansão.
Do outro, um papel que continua o mesmo.
No meio, um sujeito pressionado, que começa a resistir não por incapacidade, mas por excesso de exigência silenciosa.
O que antes era potência, vira peso.
O que antes era solução, vira sintoma.
E talvez a pergunta não seja:
“Por que essa pessoa mudou?”
Mas sim:
“O que a gente não atualizou, enquanto todo o resto crescia?”
Porque quando alguém se torna indispensável por tempo demais, não é só reconhecimento, é também aprisionamento.
E todo sistema que aprisiona… mais cedo ou mais tarde, encontra resistência.
E isso não é um problema.
É um sinal 😉