15/03/2021
A Experiência de uma Neta vendo a díficil decisão da família mudando a vó para casa de repouso:
Quando pensamos em mudar um idoso da família para uma casa de repouso, é comum nos depararmos com um certo preconceito ou sentimento de que estamos abandonando a pessoa, mas só quem já vivenciou essa situação de perto entende que a realidade não é essa.
Quando meu avô faleceu, minha avó ficou por um tempo morando em sua casa sozinha, nenhuma das casas dos filhos tinha estrutura física para abrigá-la bem e pelo que me lembro ela também gostaria de f**ar em seu espaço. Como os filhos moravam no mesmo conjunto de casas era muito rápido e fácil chegar até ela no caso de necessidade.
Minha avó era lucida e fisicamente capacitada, apenas com alguns problemas de saúde relacionados a idade e estilo de vida, mas depois do falecimento do meu avô, a sua saúde e lucidez foi piorando gradativamente. Depois de um tempo ela não podia mais f**ar sem a supervisão de outra pessoa.
O custo de manter uma enfermeira profissional era mais alto do que a família poderia arcar. Já que os cuidados médicos não eram necessários a todo momento, contrataram uma pessoa só para lhe manter companhia e ajudá-la no dia-a-dia. Porém, seu estado mental se agravou muito rápido e ficou impossível para alguém sem treinamento lidar com essa situação.
Lembro bem que meu pai tentou assumir o comando e cuidar dela, com a ajuda esporádica de um familiar ou outro, foi a partir desse momento que entendi o porquê famílias tomam a difícil decisão de mudar um familiar para uma casa de repouso.
Tendo que conciliar a vida de trabalho intenso com o cuidar da minha avó, eu vi a saúde mental e física do meu pai começar a sofrer o impacto. Quando ele assumiu essa responsabilidade não conseguia mensurar o preparo emocional necessário para se cuidar de um idoso, ninguém imagina até passar por isso.
Esse processo interferiu, de certa forma, com a nossa família toda, eu via meu pai esforçando-se de forma sobre-humana para tentar oferecer uma qualidade de vida a minha avó, fazendo sacrifícios enormes, e mesmo assim não havia nenhum impacto positivo sobre ele ou ela.
Depois de muito tempo foi tomada a decisão de muda-la para a Casa de Repouso Arcanjo Gabriel. Eu não fiz parte dessa decisão, era muito nova para isso, mas analisando a situação hoje eu percebo os benefícios dessa decisão e como poderia ter sido tomada antes.
A vida do meu pai voltou a ter uma estabilidade depois dessa mudança, mas o mais importante é que a vida da minha avó melhorou demais. Ainda que uma cura não fosse possível no seu quadro, o monitoramento constante e o convívio com os outros senhores e senhoras apresentou uma grande melhora no seu humor e na sua saúde.
Minha avó não está mais entre nós, mas tenho a certeza absoluta que mudar para a casa de repouso tanto prolongou sua vida como ofereceu uma qualidade de vida melhor em seus últimos anos.
Meu pai a visitava toda semana e tinha contato direto com o pessoal da casa para se manter informado, não houve um abandono e pelo que pude ver houve até uma melhora no relacionamento dos dois, já que podia ser filho de novo ao invés de cuidador.
Ver isso acontecer com a minha família me fez compreender que existem estabelecimentos, como a Casa de Repouso Arcanjo Gabriel, que não são só clinicas para abandonar alguém, mas sim um lar com muito amor e harmonia para senhores e senhoras que precisam.
Não é uma decisão fácil, mas muitas vezes é a melhor decisão.
Photo by Marisa Howenstine on Unsplash