Dra. Polianna Souza

Dra. Polianna Souza CRM/SP109226.

Médica geriatra pela UNIFESP, formação em Cuidados Paliativos pela Asociacion Pallium Latinoamerica e em Oncogeriatria pela SIOG, área de atuação em Dor pela AMB e administradora do site Oncogeriatria Brasil.

Nem toda incerteza é inevitável. Muita coisa é desalinhamento.No meu novo artigo no LinkedIn, falo sobre erros evitáveis...
04/02/2026

Nem toda incerteza é inevitável. Muita coisa é desalinhamento.

No meu novo artigo no LinkedIn, falo sobre erros evitáveis na assistência à pessoa idosa com câncer que não vêm de falta de protocolo, mas de falhas de comunicação, registro e critérios compartilhados entre equipes e plantões.

Discuto por que educação continuada não é evento, nem “treinamento para zerar erro”, e sim um processo que ajuda a sustentar decisões ao longo do cuidado e aumentar segurança do paciente de forma concreta.

Artigo completo no meu LinkedIn.

Link na bio.

A oncologia oferece diretrizes sólidas para o tumor. Mas, na pessoa idosa, segurança clínica depende de pilares que a fo...
02/02/2026

A oncologia oferece diretrizes sólidas para o tumor. Mas, na pessoa idosa, segurança clínica depende de pilares que a formação tradicional ainda aborda pouco: avaliação funcional, decisão compartilhada, revisão de medicamentos, comunicação estruturada e educação continuada no serviço.

No contexto brasileiro, com rede frequentemente fragmentada e múltiplas transições de cuidado, esses pilares não são complementares: eles organizam risco, tolerância, adesão e viabilidade do plano terapêutico.

Qual desses pilares foi menos contemplado na sua formação; e qual mais impacta suas decisões hoje?

A oncogeriatria não me ensinou apenas a conduzir situações complexas em pessoas idosas com câncer. Ela me ensinou a enxe...
30/01/2026

A oncogeriatria não me ensinou apenas a conduzir situações complexas em pessoas idosas com câncer. Ela me ensinou a enxergar o cuidado como ele se sustenta na vida real: com transições de equipe e decisões que precisam permanecer consistentes ao longo do percurso.

Na formação tradicional, é comum supor que excelência técnica individual basta: estudar, aplicar diretrizes, escolher a melhor conduta. Como se bons desfechos fossem consequência direta do acerto de uma pessoa.

Na prática, em algum momento f**a claro que fazer certo, sozinho, não sustenta continuidade. Cuidado de qualidade precisa ser reprodutível: no plantão, no ambulatório cheio, na alta, no retorno, na troca de turno.

Na oncogeriatria, isso se torna evidente porque a decisão não se resolve só com protocolo: função, reserva fisiológica, vulnerabilidade, suporte, preferências, tolerância real ao tratamento e trajetória provável são parte central do raciocínio.

“Cuidar bem não é dom. É método.”
Precisamos formar melhor quem cuida. E isso começa reconhecendo que ainda não ensinamos bem.

Quero ouvir você: qual lacuna da sua formação mais apareceu quando passou a cuidar de pessoas idosas com câncer?

No cuidado da pessoa idosa com câncer, muitas condutas não se decidem no plano inicial.Se definem no percurso.É no camin...
23/01/2026

No cuidado da pessoa idosa com câncer, muitas condutas não se decidem no plano inicial.
Se definem no percurso.

É no caminho que aparecem: intercorrências, toxicidades, perda funcional, internações, mudança de objetivo terapêutico.

E quando faltam critérios compartilhados, a decisão f**a dependente de quem está de plantão.
Depois, a carga emocional vem: dúvida, desgaste e, muitas vezes, culpa.

Planejar o cuidado durante o percurso não é “prever tudo”.
É organizar como o serviço decide quando o quadro muda.

Na prática, isso pede um caminho decisório claro:

quais critérios disparam reavaliação clínica e funcional;

como registrar e comunicar gravidade, proporcionalidade e prioridades;

quem aciona quem, em que prazo, e com qual objetivo;

o que precisa estar documentado para garantir continuidade entre ambulatório, internação e plantões.

Quando existe planejamento consciente, protocolos atualizados e educação continuada, as decisões f**am mais consistentes e mais seguras.
Reduz variabilidade de condutas, diminui atrasos no reconhecimento de piora funcional e de eventos adversos, e melhora a coordenação do cuidado.

E reduz a sensação de “decisão solitária”.
Mesmo quando o desfecho é limitado pela biologia da doença, a equipe sustenta método, alinhamento e registro do raciocínio.

Isso vale no SUS e na saúde suplementar, com diferentes níveis de recurso.
O princípio é o mesmo: sem caminho decisório compartilhado, o cuidado vira reativo e sujeito a ruído entre profissionais e turnos.

Na sua prática, qual ponto do percurso mais precisa de planejamento e alinhamento de equipe: manejo de intercorrências, reavaliação após toxicidade, transição de cuidado ou redefinição de objetivo terapêutico?

Tem uma cena muito comum na prática clínica:Você orienta, combina conduta, explica riscos e próximos passos…e a pessoa i...
21/01/2026

Tem uma cena muito comum na prática clínica:

Você orienta, combina conduta, explica riscos e próximos passos…
e a pessoa idosa responde: “tudo bem, doutora”.

Isso pode soar como compreensão.
Mas muitas vezes é só um jeito de encerrar a conversa.

Quando depois vem “não seguiu a orientação”, “não retornou”, “não entendeu a decisão”, é frequente o serviço concluir que a responsabilidade é dela: desinteresse, baixa adesão, “dificuldade do paciente”.

Só que, na vida real, o ponto central costuma ser outro:
a comunicação não foi adaptada ao canal possível daquela pessoa, naquele contexto.

O envelhecimento muda esse canal.
Visão e audição, fadiga, dor, ansiedade, letramento em saúde e uma velocidade de processamento diferente alteram compreensão e retenção.

Mesmo sem comprometimento cognitivo, alguns fatores aumentam muito o risco de entendimento parcial: ambiente ruidoso, tempo curto, excesso de termos técnicos e explicações longas.

Por isso eu insisto com as equipes: comunicação é competência clínica.
Não é um “extra” de empatia.
É parte do tratamento, do consentimento qualif**ado e da segurança do cuidado.

Quando a comunicação falha, o efeito não é só desconforto:
vira insegurança, decisão mal compreendida, consentimento frágil, baixa adesão por motivos evitáveis, mais recontatos e retrabalho. E ainda tensiona a relação entre equipe, pessoa idosa e família.

Se a pessoa idosa não entendeu, a primeira hipótese útil deve ser:
eu não me fiz entender do jeito certo para ela.

Isso reposiciona a responsabilidade onde ela é acionável: no que a equipe consegue ajustar.

Na sua prática, qual é o sinal mais frequente de que a explicação não foi compreendida, mesmo quando a pessoa diz “entendi”?

Educação em oncogeriatria não é vocação.É segurança clínica.Não é “dom” de quem gosta de ensinar.E também não é performa...
19/01/2026

Educação em oncogeriatria não é vocação.
É segurança clínica.

Não é “dom” de quem gosta de ensinar.
E também não é performance acadêmica para parecer atualizado.

Na prática, é um instrumento de cuidado.

Quando a equipe não compartilha o básico sobre função, fragilidade, cognição, polifarmácia e preferências, acontece o que a gente conhece bem: cada profissional sustenta a decisão no que dá. E a assistência vira um mosaico.

A variabilidade aumenta.

A insegurança aumenta.

E a pessoa idosa com câncer paga a conta.

Um exemplo clássico (e silencioso) é o delirium:

Vira “confusão da idade”.

“Desorientação do hospital”.

“Efeito do câncer”.

E a equipe não nomeia, não procura causa, não ajusta o ambiente e a medicação do jeito certo.

O resultado aparece depois: queda, contenção, piora funcional, permanência prolongada, desfecho ruim. E retrabalho para todo mundo.

Por isso eu defendo educação como parte da assistência: uma camada de proteção.
Ela reduz decisão isolada e dá linguagem comum para discutir risco, propor plano e sustentar condutas difíceis com mais consistência.

Ação interna: leve para a equipe um alinhamento operacional e teste por 2 semanas.

Exemplo: “toda pessoa idosa com câncer com mudança aguda de comportamento deve ser tratada como delirium até prova em contrário; a investigação e a conduta básica começam no mesmo dia.”

Qual é o alinhamento simples que mais reduziria variabilidade no seu serviço hoje?

Na pessoa idosa com câncer, sofrimento emocional é parte do quadro clínico; e precisa ser cuidado de forma intencional, ...
16/01/2026

Na pessoa idosa com câncer, sofrimento emocional é parte do quadro clínico; e precisa ser cuidado de forma intencional, não apenas percebido.

O que costuma dificultar isso no cotidiano não é falta de atenção da equipe. É a dinâmica assistencial: prioridade para exames, sintomas físicos, logística do tratamento e intercorrências.

Quando o sofrimento emocional não entra no plano com responsável e prazo, ele tende a ser abordado tardiamente, quando já está impactando adesão, decisões e rede de suporte.

Um ponto que merece destaque: com frequência, o medo mais determinante não é apenas a doença, e sim a possibilidade de perder autonomia e se tornar dependente. Se isso não é nomeado, passa a influenciar escolhas de maneira silenciosa.

Uma proposta simples: documente um passo concreto; quem vai acompanhar, quando reavaliar e qual será o critério para antecipar suporte. Isso melhora continuidade do cuidado, facilita a comunicação entre profissionais e evita que a pessoa idosa passe pelo tratamento com sofrimento emocional não reconhecido.

Na sua prática, o que mais dificulta incorporar isso ao plano: tempo, fluxo, ou ausência de um caminho claro de encaminhamento?

Nem sempre o desafio está no tumor. Muitas vezes, ele está em tudo o que vem junto.No meu novo artigo no LinkedIn, compa...
14/01/2026

Nem sempre o desafio está no tumor. Muitas vezes, ele está em tudo o que vem junto.

No meu novo artigo no LinkedIn, compartilho uma história para conversar sobre decisões “certas no papel” que podem se tornar difíceis quando não consideramos funcionalidade, valores e contexto familiar. E como a oncogeriatria (com triagem como G8/VES-13 e avaliação estruturada) ajuda a refinar a decisão, organizar suporte e reduzir desalinhamento, considerando o que a pessoa considera uma vida possível e digna.

Artigo completo no meu LinkedIn (link na bio).

Nem todo sofrimento da pessoa idosa com câncer aparece na prescrição. Mas ele costuma decidir o percurso.Ansiedade, humo...
12/01/2026

Nem todo sofrimento da pessoa idosa com câncer aparece na prescrição. Mas ele costuma decidir o percurso.

Ansiedade, humor deprimido, luto antecipatório e medo de dependência não são “um detalhe emocional”. Eles entram na prática como cansaço que não fecha conta, insônia persistente, irritabilidade, perda de apetite, desistência silenciosa, faltas, recusa de exame, idas repetidas ao pronto atendimento. A equipe sente que “o tratamento não anda”, mas o que está travando é outra camada do cuidado.

Na oncologia, existe um termo justamente para isso, distress: sofrimento que impacta adesão, comunicação, tomada de decisão e qualidade de vida. Diretrizes recomendam que isso seja reconhecido e rastreado como parte do cuidado oncológico, não como “extra quando dá tempo”.

E na pessoa idosa, isso se mistura com perdas muito concretas: função, autonomia, papel na família, previsibilidade do dia a dia. Às vezes, o que mais assusta não é a quimioterapia. É a possibilidade de virar dependente; e ninguém ter perguntado sobre isso.

Quando a gente nomeia, a conversa muda. E o plano f**a mais realista, mais ético e mais sustentável para aquela pessoa e para a rede (no SUS ou na suplementar). Isso não substitui tratamento oncológico; qualif**a o tratamento oncológico.

Se isso faz sentido para você, salve para lembrar na próxima consulta e compartilhe com alguém da equipe.

Eu vou direto ao ponto: oncogeriatria não é um “extra” da oncologia. É uma mudança de lógica clínica.Porque eu vejo isso...
05/01/2026

Eu vou direto ao ponto: oncogeriatria não é um “extra” da oncologia. É uma mudança de lógica clínica.

Porque eu vejo isso acontecer muito: o protocolo está certo, a evidência está certa… e, ainda assim, na hora do caso real, f**a aquela sensação incômoda de que a decisão não encaixa naquela pessoa idosa com câncer.

E quando isso acontece, não é falta de empatia. É que a pergunta está incompleta.

Na oncologia, a pergunta costuma ser: “qual é o melhor tratamento para este tumor?”

Na oncogeriatria, entra a pergunta que muda o rumo:
“para esta pessoa idosa, com esta reserva e este contexto… o que é proporcional e seguro?”

A partir daí, alguns fatores passam a “pesar” de verdade na decisão; e não como detalhe de rodapé:

qual é a capacidade funcional de base e se houve queda recente;

quanta reserva fisiológica existe para suportar toxicidade, infecção, internação;

o que a polifarmácia e as interações podem estar somando de risco;

como está cognição/humor (adesão, delirium, tomada de decisão);

e se existe rede de apoio real para sustentar o plano;

além dos valores e objetivos: o que essa pessoa considera um resultado aceitável?

Percebe como muda?

Não é “humanizar o discurso”. É tomar decisão mais segura, reduzir dano evitável e evitar o clássico: “tratamento perfeito no papel”, mas caro demais em funcionalidade e sofrimento.

Eu costumo resumir assim: protocolo orienta, mas no idoso com câncer a decisão precisa caber no corpo e na vida real.

Oncogeriatria é o método para isso f**ar claro, discutível e replicável nas equipes.

Agora me diz: na sua rotina, o que mais muda a conduta no idoso com câncer?

Funcionalidade? Cognição? Polifarmácia? Rede de apoio?

02/01/2026

Minha experiência em oncogeriatria ao longo dos anos me ensinou que cuidar não é só tratar a doença. É escutar o que ainda faz sentido para aquela pessoa, até o fim.

Essa história me marcou profundamente. Em plena pandemia, uma paciente jovem, em fase final de vida por câncer, tinha um único desejo: ver o mar. Não era turismo, não era lazer. Era espiritualidade, identidade, despedida. Tentamos realidade virtual, sons, imagens. Nada substituía estar ali, com os pés na água, vivendo aquele momento do jeito dela.

E foi isso que fizemos. Levamos essa paciente até o mar para que ela pudesse realizar seu ritual, do modo como acreditava, com dignidade, respeito e humanidade.

Como oncogeriatra e educadora, eu acredito que medicina não é só protocolo. É presença. É entender que o cuidado também envolve cultura, espiritualidade e sentido de vida. Mesmo, e principalmente, quando não há mais cura.

Esse corte é do podcast Oncogeriatria Brasil, grupo do qual sou sócia e cofundadora, criado para formar profissionais e ampliar o olhar sobre o cuidado oncológico no envelhecimento, com ciência e humanidade caminhando juntas.

🎧 Episódio completo disponível no canal Oncogeriatria Brasil no YouTube.

O Ano Novo, para quem cuida de pessoas idosas, não é uma reinvenção, mas uma continuidade. Continuamos com a mesma respo...
31/12/2025

O Ano Novo, para quem cuida de pessoas idosas, não é uma reinvenção, mas uma continuidade. Continuamos com a mesma responsabilidade, os mesmos desafios, e, acima de tudo, com o propósito de sempre: cuidar.

Entre os plantões, as decisões difíceis e os esgotamentos, é importante lembrar o que realmente faz diferença: escutar com atenção, garantir conforto, aliviar a dor e respeitar as escolhas da pessoa. E o trabalho multiprofissional é fundamental nesse processo.

Neste início de ano, a prioridade não é prometer mudanças radicais, mas reconhecer o que já fazemos com empenho e manter a disposição para ajustar o que pode ser melhorado. Limites claros, descanso necessário e apoio mútuo fazem parte da continuidade responsável. Não é sobre fazer mais, é sobre fazer com mais consciência.

Que 2026 nos encontre com mais lucidez, menos pressão, e, acima de tudo, mais humanidade.

Feliz Ano Novo.

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