08/01/2025
A obesidade é uma doença crônica e complexa, com múltiplas causas e consequências. Ela deve ser reconhecida e tratada como tal, pois envolve fatores genéticos, metabólicos, comportamentais e ambientais. Ignorar essa complexidade pode levar a tratamentos inadequados ou temporários, frequentemente baseados em conceitos simplistas, como a ideia de que a obesidade é apenas uma questão de “força de vontade”.
É importante desconstruir a culpa associada à obesidade. A pessoa com obesidade não deve ser vista como alguém que falhou ou tem comportamentos prejudiciais; em vez disso, deve-se considerar que sua condição é o resultado de interações biológicas e sociais complexas. Quando tratamos a obesidade com estigma, agravamos o sofrimento emocional do paciente, além de dificultar a adesão ao tratamento.
O tratamento da obesidade é contínuo e multifacetado. Deve envolver uma abordagem que combine mudanças no estilo de vida, apoio psicológico e, quando necessário, intervenções médicas ou farmacológicas. A terapia comportamental, com foco em educação alimentar e estratégias para lidar com o estresse e gatilhos emocionais, é essencial.
Tratamentos baseados em dietas restritivas drásticas ou modismos frequentemente falham a longo prazo. A chave é promover hábitos saudáveis sustentáveis, que respeitem a individualidade do paciente, sem prometer soluções rápidas. Além disso, medicamentos ou até mesmo intervenções cirúrgicas devem ser considerados com base em diretrizes clínicas rigorosas, para garantir que a abordagem seja adequada ao estado de saúde do paciente.
Em resumo, a obesidade deve ser tratada como uma doença crônica, com um foco constante no cuidado multidisciplinar, no respeito pelo paciente e em estratégias de tratamento que abordem a condição de forma holística. É fundamental que o tratamento seja individualizado, com base em evidências científicas e na compreensão profunda dos fatores que contribuem para a obesidade.
Dra Susy Hashimoto
RQE 46064
Titulada pela SBEM em Endocrinologia e Metabologia