12/02/2026
Há momentos em que o tempo parece se dissolver: o cheiro da cabeça dele depois do banho, o calor do corpo pequeno adormecendo no meu peito, o som manso da respiração que se encaixa no meu ritmo sem pedir licença. É nesses instantes que percebo que fiz a escolha certa. Que, apesar do cansaço, existe uma paz profunda em ser o colo disponível, em ser o par de olhos que ele procura primeiro.
Eu poderia estar em mil lugares, fazendo mil coisas. Mas estou aqui. Presente. Inteira. Acompanhando cada pequeno desabrochar: o sorriso que apareceu de repente, o olhar curioso que antes não existia, o gesto novo que revela o quanto ele muda a cada dia.
E, no meio dessa névoa doce e cansada, sou grata. Grata por ter silenciado expectativas externas. Grata por ter aceitado que essa temporada pede presença e não performance. Grata por ter permitido que a vida diminuísse o ritmo para que eu pudesse escutar o que ele ainda não sabe dizer.
Um dia ele vai crescer, vai correr sem olhar para trás, vai dormir sem precisar da minha mão. Mas agora — agora ele é meu presente estendido, meu intervalo do mundo, meu lembrete diário de que algumas escolhas não se medem em produtividade, mas em memória.
E eu sei: estarei para sempre agradecida por ter vivido tudo isso de perto. Porque esse tempo não volta. E eu o vivi com ele. Única e Inteira.