02/02/2026
Quando falamos em preparo para a transferência embrionária, a videohisteroscopia, para mim, não é um exame opcional. Ela é parte da estratégia para evitar a falha da implantação, e não para investigá-la depois que ela acontece.
Muitas vezes escuto que não há necessidade de realizar a histeroscopia antes da transferência. Que seria melhor esperar falhar uma, duas vezes, para só então investigar. Eu discordo completamente dessa abordagem. Não faz sentido esperar que algo dê errado para depois agir, principalmente quando estamos falando de um tratamento que envolve investimento financeiro, desgaste emocional, uso de medicamentos e uma expectativa enorme por parte do casal.
A videohisteroscopia me permite avaliar, com precisão, o caminho por onde o embrião será transferido. Avalio o canal cervical, garantindo que a passagem do cateter seja tranquila, sem obstáculos ou dificuldades técnicas que possam interferir no procedimento. Avalio o endométrio, entendendo seu padrão, seu comportamento e sua receptividade. Consigo identificar se esse endométrio é adequado, se há sinais de inflamação, hiperreatividade ou baixa resposta.
Além disso, a histeroscopia permite detectar alterações que exames indiretos muitas vezes não mostram. Pequenas sinéquias, pólipos discretos, sinais de endometrite ou irregularidades da cavidade uterina podem passar despercebidos em outros métodos. São exatamente esses detalhes que podem comprometer uma implantação que, do ponto de vista embrionário, estava perfeita.
Existem exames que ajudam, como a histerossonografia, o HyCosy ou até mesmo a biópsia endometrial isolada. Eles podem quebrar um galho, mas não substituem a visão direta da cavidade uterina. Nada é tão completo quanto a própria videohisteroscopia.
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