23/10/2024
Hoje a caminho da correria da vida, meu ouvido pescou um "isto é", não recordo onde era, mas fiquei repetindo inúmeras vezes pra saber por que tinha sigo pega, repeti tsnto até que achei: o poema "Guardar" do Antônio Cícero.
Reli o poema, lembrei do ensino médio, época que eu escrevia esse poema em tudo quanto é lugar.
Eu acho que sabia até de cor, hoje só lembro do "isto é" e de sua musicalidade.
Antes de entrar em aula, gravei os passarinhos cantando alegres com a chuva, acho que ainda tocada pelo poema.
Na hora do almoço, numa postagem de me deparei com uma carta de despedida de Antônio Cícero. Morreu hoje aos 79 anos na Suíça, por escolha e cansado de esquecer.
Não sabia do Alzheimer e nem de seus sofrimento.
Mas perdi a pouco um tio querido devorado pelo esquecimento e pela falta das palavras -- causados por essa doença.
Sigo comovida com a notícia e feliz por saber que ele pode escolher interromper esse sofrimento sem fim causado por uma doença que avançada a galopes pesados. O Alzheimer toma das pessoas algo que é tão caro para nós sujeitos no mundo: a capacidade de escolha.
Vá em paz, Antônio, que bom que tenha nos deixado as palavras para seguir vivo e em boa memória.
Na penúltima foto, meu amado tio Nana, que não conseguiu escolher até onde conseguiria suportar em consciência o peso do esquecimento e acabou que, mesmo diante das circunstâncias, foi embora de surpresa. Aproveito porque dia 29 ele faria 65 anos.
A memória em nós está viva, Nana! Bem guardada em nós!