30/09/2021
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Ciclo de Debates Psiquiatria, Democracia e Cuidado em Liberdade - 7ºEncontro 30/09/2021 às 20h
Tema: O bolsonarismo nas entidades médicas: tentativas de ataques e caminhos de resistência para a RAPS (o exemplo de BH)
Inscrições no link abaixo:
https://forms.gle/tBcZ2fcVaGW1FnxP7
Em continuidade ao Ciclo de Debates Psiquiatria, Democracia e Cuidado em Liberdade, neste sétimo encontro invocamos a urgente discussão que coloca em tela as recentes ameaças impostas ao modelo da reforma psiquiátrica e aos serviços de Saúde Mental que constituem a Rede de Atenção Psicossocial.
Como disparador desse debate, colocamos em destaque o caso de Belo Horizonte. A capital mineira é reconhecida por possuir uma RAPS que está estruturada de maneira bastante robusta. Entre outros serviços, conta com 16 CAPS III, modalidade ministerialmente definida como de funcionamento 24h. À moda mineira, são chamados de CERSAMs – Centros de Referência em Saúde Mental.
Apoiando-se na perspectiva da reforma psiquiátrica, o processo de trabalho nos CERSAMs acontece em equipe, no qual nenhum saber se mostra hegemônico. Ao contrário, a grande riqueza existente nesses serviços se revela no mecanismo de descentralização de saberes e poderes sobre a loucura, o que convoca os trabalhadores a construção dos casos clínicos em pé de igualdade. O protagonismo está no trabalho coletivo e não mais no médico.
Recentemente, em virtude do fechamento de um grande hospital psiquiátrico, a cidade de Belo Horizonte avançou mais uma importante etapa na consolidação de sua RAPS. Nesse cenário, tornou-se ainda mais evidente ao Brasil a potência do trabalho da RAPS no enfrentamento do manicômio. Contudo, se por um lado, trouxe orgulho, motivação e responsabilização para continuidade do trabalho em rede, por outro, motivou atitudes covardes de revanche por parte dos saberes, grupos e entidades médico-centradas. Assim, propulsionado principalmente pelo conselho de medicina, a estrutura da RAPS de Belo Horizonte está, neste momento, posta sob ameaça. E por que? Por qual razão colocar em xeque experiência tão pioneira em terreno de lastro tão exitoso?