05/02/2026
Preocupar-se é humano. A preocupação tem uma função adaptativa: nos ajuda a prever riscos, planejar e nos proteger.
O problema começa quando ela deixa de ser um recurso e passa a dominar a mente.
Na psicologia, a preocupação excessiva está ligada a processos como a ruminação, a hipervigilância e a ansiedade antecipatória. A pessoa passa a viver mais no “e se…” do que no presente, criando cenários negativos que nem sempre correspondem à realidade.
Do ponto de vista cognitivo, isso gera uma superestimação da ameaça e uma subestimação da própria capacidade de lidar com os problemas. O corpo entra em estado constante de alerta, como se o perigo fosse permanente.
O resultado? Cansaço mental, dificuldade de concentração, irritabilidade, tensão muscular, alterações no sono e, a longo prazo, maior risco de transtornos de ansiedade.
Na perspectiva psicanalítica, a preocupação exagerada pode funcionar como uma tentativa de controle frente à angústia: pensar demais vira uma forma de evitar sentir. Mas aquilo que não é elaborado emocionalmente retorna como sintoma.
Cuidar da saúde mental não é eliminar a preocupação, e sim aprender a diferenciá-la do excesso, reconhecendo limites, acolhendo emoções e desenvolvendo estratégias mais saudáveis de enfrentamento.
👉 Pensar protege. Pensar demais adoece.
PSICÓLOGO LEANDRO MOTTA