09/01/2026
Como psicólogo, costumo dizer que a mente humana é o mais criativo dos roteiristas. Às vezes escreve dramas, às vezes comédias — e, em casos raros, superproduções de Hollywood.
A mulher de Erechim que afirmou que Brad Pitt viria se casar com ela não estava falando de um homem. Estava falando de uma necessidade. A necessidade de ser vista, escolhida, amada, especial. Brad Pitt, nesse caso, é apenas um símbolo premium, com selo internacional de validação.
A mente, quando carente de afeto, não pede pouco. Ela não sonha com o vizinho do 302. Ela convoca um Oscar.
Quando a realidade dói, a fantasia negocia. Quando a solidão aperta, o cérebro cria um roteiro onde finalmente alguém chega — bonito, famoso, rico e disposto a ficar.
Não é loucura no sentido vulgar da palavra. É excesso de imaginação tentando compensar escassez de vínculo. É o afeto pedindo palco, luz e aplauso.
O problema não é acreditar que Brad Pitt iria chegar a Erechim.
O problema é viver numa sociedade onde tanta gente só se sente digna de amor se ele vier em primeira classe, com sobrenome famoso e capa de revista.
No fim, Brad Pitt não veio.
Mas a carência continua morando ali — esperando alguém real, possível e humano bater à porta.
E isso, convenhamos, dá muito mais trabalho do que sonhar com Hollywood.