29/12/2025
É verdade: nem toda criança agitada, curiosa ou com linguagem avançada tem um transtorno.
Mas a pergunta que precisa ser feita é outra: e se estivermos diante de uma criança autista (TEA), com algum transtorno do neurodesenvolvimento ou uma dupla excepcionalidade (2e)?
Será que, em nome da cautela com diagnósticos precoces, não corremos o risco do outro extremo?
👉 adiar investigações necessárias
👉 postergar intervenções importantes
👉 perder janelas valiosas de desenvolvimento
A intervenção precoce não depende de um diagnóstico “carimbado”.
Ela depende de sinais, indicativos, acompanhamento e plano de ação, e pode (e deve) ser ajustada ao longo do tempo.
O que é mais responsável?
• Investigar e acompanhar cedo, mesmo que ainda seja cedo para um diagnóstico definitivo?
• Ou esperar “para ver”, enquanto o tempo, que não volta, passa?
Nem toda dificuldade é “natural da idade”.
Nem todo sinal de alerta é “mente acelerada”.
E sim: crianças com Altas Habilidades podem ter TEA, TDAH, dislexia, TDL, TOD, ansiedade e outras condições associadas, a chamada dupla excepcionalidade.
Tratar todo alerta como “apenas perfil de Altas Habilidades” pode custar caro: custa acesso a suporte, adaptações, terapias e estratégias que fazem diferença, especialmente na primeira infância.
Investigar cedo não é rotular. É proteger direitos e oportunidades.
Referências literárias e acadêmicas:
Hakim, 2016. Superdotação e Dupla Excepcionalidade. Editora Juruá.
Rzezak, Hakim e Halpern-Chalom. Como lidar com as Altas Habilidades/Superdotação. Editora Hogrefe.
Zoppé, H.; Trocmet, L.; Rambault, A.; et al. Early detection of neurodevelopmental disorders in children with delayed milestones: Functional overlaps and the limitations of categorical diagnoses. Asian Journal of Psychiatry, 2025. DOI: 10.1016/j.ajp.2025.104561
Ehsan, K.; et al. Early Detection of Autism Spectrum Disorder Through Behavioral Markers: Importance of Timely Intervention. Diagnostics, v. 15, n. 15, 2025, p. 1859. DOI: 10.3390/diagnostics15151859
Pires, J. F. The challenges for early intervention and its effects on Autism Spectrum Disorder. Dementia & Neuropsychologia, 2024.
Petrini, T. Diagnóstico e intervenção precoce em crianças com Transtorno do Espectro Autista. Revista de Psicologia (UNISC), 2025.
Morgan, K.; et al. Warning signs for identifying neurodevelopmental disorders. Journal of Pediatrics, 2025.
Pires, J.; Grattão, C.; Gomes, R. Impact of early intervention on autism prognosis: an integrative review.