04/03/2020
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Você se preocupa em nutrir o cérebro do seu bebê?
Se sim, esse post é essencial.
O ferro pode ser considerado um neuronutriente nos conhecidos primeiros 1000 dias.
Ele é utilizado pelo cérebro como substrato para a formação de sinapses, a ligação entre os neurônios, que são essenciais para o desenvolvimento global ao longo do tempo.
O período mais crítico compreende os dois primeiros anos, por isso mesmo tomamos tanto cuidado em evitar a anemia em bebês, começando pela recomendação de clampeamento tardio do cordão umbilical, passando pela importância do aleitamento e pela prescrição de ferro profilático a partir dos 3 meses de vida nos bebês a termo e após o primeiro mês de vida nos prematuros, além da introdução alimentar com fontes de ferro mais biodisponíveis.
Porém, com todos esses cuidados, a anemia, e principalmente, a deficiência de ferro, ainda são muito prevalentes em nosso meio, chegando a 50% em alguns estudos.
O problemão é que, para o cérebro, quando a anemia está instalada, o prejuízo já está ocorrendo há tempos. Precisamos prevenir, identificar e tratar precocemente a deficiência de ferro, que vem antes que a anemia seja instalada.
Em um estudo recém publicado no Journal of Pediatrics, pesquisadores canadenses verificaram a relação entre a ferritina sérica e a função cognitiva na primeira infância.
Eles verificaram que valores de ferritina mais elevados se correlacionavam com melhor função cognitiva em crianças de 1 a 3 anos de idade, estando o grupo com anemia (Hemoglobina menor que 11), nas piores condições de desempenho nos te**es realizados.
Isso tudo em uma amostra de bebês a termo, em famílias com boas condições econômicas. Também sabemos que as condições socioeconômicas adversas podem acentuar ainda mais o problema.
O dado mais importante do estudo foi mostrar a importância da aferição da ferritina, para o rastreio da deficiência de ferro. No estudo, o número mágico foi 17 mcg//L, acima da referência laboratorial.
No Brasil, o Departamento de Nutrologia da SBP, recomenda que esta esteja próxima de 30 e seja aferida pela primeira vez com 1 ano de idade.