24/06/2016
Falar de compulsão alimentar é um assunto complicado e delicado que demanda conhecimentos além daqueles que escutamos todos os dias de leigos que definem a doença como : “Você só pensa em comida”, “Você não leva nenhuma dieta a sério”, “Como quer emagrecer se come desse jeito?”, “Você não tem força de vontade”. Geralmente é isso que escutamos dos outros quando nos pegam a comer compulsivamente e sem saber explicar, continuamos nos escondendo de alguma forma nesse “hábito” incontrolável que é maior que a nossa razão de saber quando parar.
De um jeito simples vou definir o que é a compulsão alimentar: é uma doença mental em que a pessoa não tem controle em relação à comida, fazendo-a comer mesmo quando não está com fome ou já estar satisfeita. Pessoas com compulsão alimentar comem grandes quantidades de alimentos em pouco tempo. As causas podem ser inúmeras e obviamente cada caso é um caso e precisa ser cuidado como tal. Generalizar os motivos da compulsão alimentar é entrar em um campo perigoso e errôneo onde deixa-se de escutar a pessoa e suas aflições.
Eu acredito que o ser humano é um ser social e, querendo ou não, é visto pelas relações que ele forma. Pessoas que não conseguem se relacionar de maneira adequada ou como gostariam, ou ainda, tem questões internas que guardam dentro de si, acabam construindo formas inadequadas no campo relacional. Uma dessas formas é a relação construída com a comida. Sim, a comida passa a ser um caminho para o alívio. Na maioria das vezes, enxergam na comida um acolhimento ou um escape para questões aflitivas. Em muitas ocasiões as pessoas não tem essa consciência e arranjam maneiras equivocadas de lidar com essa “culpa”, desenvolvendo ainda mais a compulsão ou até outros transtornos alimentares.
É essencial trabalhar a relação/comida de uma forma agradável e adequada. A idéia, para tratar a compulsão, não é cortar essa relação de maneira abrupta, tanto porque comer gera prazer além de ser fundamental pra sobrevivência do ser humano, mas ressignificá-la para que a comida seja vista como algo necessário e prazeroso na medida certa.
Para conseguirmos alcançar esse objetivo, é necessário, principalmente, OUVIR o que a pessoa tem a dizer e assim construir juntos novos signif**ados. Desenvolver o “ouvir”, a empatia e o vínculo é papel do terapeuta para que esse caminho seja o mais tranquilo possível.