09/01/2026
Quando Stranger Things acabou,
muita gente se recusou a aceitar.
Criaram teorias.
Esperaram um episódio secreto.
Um último fechamento melhor.
Mas a série acabou do jeito que a vida costuma acabar:
sem final perfeito,
sem redenção completa,
sem promessa de que tudo vai ficar bem.
Talvez por isso tenha doído tanto.
Não foi um final frustrante.
Foi um final verdadeiro.
Na clínica, vejo isso o tempo todo:
pessoas esperando um último gesto,
uma última conversa,
um último sinal
que torne o fim suportável.
Às vezes, não vem.
E o trabalho psíquico começa exatamente aí:
aceitar o fim que houve,
não o fim que gostaríamos que tivesse existido.
—
Simone Cortez | Psicologia Simbólica
A clínica como arte de atravessar a vida