20/02/2026
Em tempos hipermodernos o SuperEu assume uma roupagem ainda mais categórica.
Na mesma medida em que condena e pune o sujeito, ele se torna um carrasco que ordena o gozo.
A instância superegóica, responsável pela representação das normas sociais, se vê impelida a assumir um exercício duplo.
Se sua função é garantir que o sujeito tenha seus impulsos inibidos, se portando conforme a ordem social vigente, na sociedade atual que grita para que esse sujeito seja feliz e faça tudo o que tenha vontade, aqui ele atua como operador do gozo, onde trazer impulsos à tona nem sempre vai ao encontro do sujeito do desejo.
Se o sujeito quer trabalhar menos, o superego o conclama para trabalhar mais.
Se o desejo é assumir um papel tradicional como homem ou mulher (o que no passado às vezes era diferente), o superego diz que não pode, que precisa assumir seu verdadeiro eu e gênero.
O que antes era proibido agora é livremente permitido, o que nem sempre vai representar o desejo inconsciente.
Desejo não é fazer o que a sociedade não apoia, é sustentar singularidade. E quando os impulsos deixam de ser singulares para compor a massa, nem sempre isso que vem do inconsciente é o que vai ser da ordem do desejo particular.
Estamos vivendo em tempos complexos, onde nada é mais como antes. Onde as fronteiras não são nítidas e as referências sociais estão em declínio.
As comportas se abrem para os mais diferentes gozos, até aqueles disfarçados de satisfação pulsional.
Cenário perfeito para o sofrimento e para a inserção da escuta operada pelo analista.