02/11/2025
*Entre o Véu e o Retorno*
Existem dois mundos de percepção: o dos que respiram e o dos que transcenderam.
No Halloween, o véu que separa esses mundos se torna sutil como névoa — e, através dele, ecoa um antigo temor: o medo de perder o que se ama.
Logo depois, chega o *Dia de Finados*, envolto por um tempo chuvoso, propício à introspecção e ao recolhimento da alma.
Nada é por acaso. Este não é um dia de saudosismo triste ou de nostalgia que aprisiona o coração num passado inalcançável.
É, antes, um convite à compreensão da impermanência, à confiança no fluxo da existência e à experiência de um amor que não precisa possuir para permanecer.
A ausência física é apenas uma das faces da presença espiritual. Ela nos ensina sobre entrega, plenitude e renascimento — sobre o fio invisível que une tudo o que vive: o amor, cuja vibração não se rompe, apenas se expande em dimensões que o coração vai, aos poucos, aprendendo a sentir.
*O Dia dos Finados é, assim, um intervalo sagrado para reflexão, no tempo.* Um portal silencioso onde o véu entre mundos se dissolve e somos lembrados da essência do amor — livre, misterioso, indestrutível.
Quando o medo da perda se desfaz, a alma se liberta. Entre uma data e outra, um ensinamento sutil se revela:
A Presença Amorosa do Eu Sou jamais se extingue; apenas muda de forma, alternando-se entre luz e sombra, vida e passagem, crescimento e repouso.
Caminhamos por ciclos e eras — de encontros e despedidas, de nascimentos e retornos — até que estejamos prontos para reconhecer que nada se perde. Tudo apenas se transforma, em direção à mesma Luz que um dia nos gerou.
É tempo de despertar em gratidão.
*De permitir que a alma encontre, em silêncio e reverência, o caminho de volta para casa.*
Adaptado do texto recebido de minha querida amiga