14/02/2026
No meio da correria e das avaliações do dia, um momento me chamou atenção de um jeito especial.
Duas mulheres.
Duas filhas.
Ali, conversando leve… sorrindo.
Pareciam se conhecer há anos, trocando histórias da vida como velhas amigas.
Mas elas se conheceram ali.
No hospital.
São filhas das mulheres deitadas nas camas daquele quarto.
Cada uma carregando sua dor.
Seu medo.
A angústia de ver a mãe doente, internada, em risco.
E, mesmo assim… ali havia um sopro de paz.
Na companhia de alguém que realmente entende o que você está sentindo.
Sem julgamentos.
Sem “você tem que ser forte”.
Mas com cumplicidade.
Com colo.
Com verdade.
Já vi muitas amizades nascerem nos corredores e quartos de hospital.
Parentes de pacientes diferentes que se encontram na dor…
e se reconhecem no cuidado.
Entre lágrimas de medo e sorrisos de alívio, existe uma troca linda e profunda.
A gente que trabalha aqui vê de perto essas conexões nascerem — e eu acho isso de uma beleza imensa.
Quantas vezes já vi apoio verdadeiro, carinho sincero, colo de um antes desconhecido…
Às vezes mais genuíno do que de quem está do lado de fora e não faz ideia do que é cuidar de quem se ama enquanto se convive com o medo da perda.
Essa imagem ficou no meu coração.
Eu disse a elas:
que essa amizade que nasceu aqui seja para a vida.
Que essas conversas e esses sorrisos continuem existindo — mesmo nos dias mais duros.
Obrigada por me deixarem ver e sentir essa leveza.
Esse aconchego que vocês estão se permitindo viver, mesmo em meio à dor.
Dra Fernanda B Benatti
CRM 111770
RQE 43503
Especialista em clínica médica
Paliativista
Entusiasta da atividade física