31/03/2026
Quão pequena uma melhora de performance precisa ser para realmente fazer diferença?
Na ciência do desempenho, às vezes 1% muda tudo.
Em um ensaio clínico duplo-cego, homens treinados ingeriram capsaicina (o composto ativo da pimenta) ou placebo. Quarenta e cinco minutos depois, realizaram provas contra o relógio de 400 m e 3000 m.
E o cronômetro contou uma história interessante.
Nos 400 m, o grupo placebo completou a prova, em média, em 67,1 segundos.
Com capsaicina, o tempo caiu para 66,4 segundos — cerca de 1% mais rápido.
Nos 3000 m, a diferença foi ainda maior.
O tempo médio caiu de 15:15 para 14:54.
São 21 segundos de vantagem.
Em ritmo de prova, isso representa cerca de 70 metros à frente, praticamente meia volta em uma pista de atletismo.
Em níveis competitivos, muitas vezes a diferença entre vencer e perder é menor do que isso.
Para colocar em perspectiva, a cafeína, um dos ergogênicos legais mais estudados da ciência do esporte, costuma melhorar a performance em provas contra o relógio em torno de 2 a 3%.
Neste estudo, a capsaicina apresentou efeitos dentro dessa mesma faixa.
O mecanismo ainda está sendo investigado, mas as hipóteses envolvem mudanças na percepção de dor, maior eficiência neuromuscular e maior ativação do sistema nervoso central.
Na fisiologia da performance, pequenos ganhos se acumulam.
E às vezes 1% é a diferença entre acompanhar a corrida ou abrir vantagem.
Dr. Thiago Volpi – Médico Nutrólogo
CRM 119445-SP / RQE 88320