03/12/2025
“Sempre que chega o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, eu penso que esse dia não existe pra colocar a gente num pedestal, nem pra fazer texto motivacional. Ele existe pra lembrar que somos pessoas completas, com vida, desejo, trabalho, rotina, sonhos e limites – como qualquer outra.
A deficiência não define tudo o que eu sou. O que realmente pesa, na maior parte do tempo, é a falta de acesso, de estrutura e de oportunidade. E isso atinge todas as áreas da vida.
No trabalho, por exemplo, a barreira não é a capacidade – é o preconceito e a falta de adaptação básica. A gente quer ser contratado pelo que sabe fazer, não pra cumprir um número na planilha.
Na vida afetiva, o tabu é ainda maior. Muita gente acha que pessoa com deficiência não namora, não se relaciona, não sente desejo. Isso é mentira. A gente vive emoções reais, constrói vínculos, se apaixona, sofre e recomeça. Sexualidade não some porque existe uma deficiência. O que falta é respeito para entender isso sem infantilizar ou desumanizar.
No dia a dia, o que todo PCD quer é simples: autonomia no que dá pra ter e apoio no que é necessário, sem que isso seja visto como fraqueza. Respeito nas pequenas coisas: ouvir nossa opinião, reconhecer nossa identidade, permitir que a gente participe da vida de verdade e não só como espectador.
O 3/12 deveria servir para reforçar que inclusão não é favor, é direito.
Que acessibilidade não é luxo, é o mínimo. E que a gente não precisa ser “inspirador”, precisa ser considerado.
Se o mundo ajusta o olhar, a convivência flui.
Quando existe acesso, o resto acontece naturalmente: trabalho, estudo, relacionamentos, liberdade, privacidade, escolhas.
No fim das contas, a mensagem que eu deixo é simples: Pessoa com deficiência é pessoa. Completa. Capaz. Complexa. Com voz. Com história. E tudo o que a gente quer é viver a vida com dignidade – não só no dia 3 de dezembro, mas todos os dias”, enfatiza Luciano de Almeida Moura, que tem paralisia cerebral.