17/02/2026
Você sabia que nem todo câncer ginecológico pode (ou deve) ser operado por laparoscopia?
A laparoscopia tem se consolidado como uma ferramenta fundamental na cirurgia ginecológica moderna, incluindo alguns cenários oncológicos. No entanto, no câncer ginecológico, a indicação de cirurgia minimamente invasiva deve seguir critérios rigorosos e alinhados às diretrizes internacionais (NCCN, ESGO, FIGO).
Em determinados tipos de câncer do ovário, endométrio ou colo uterino, a laparoscopia pode ser utilizada para diagnóstico, estadiamento e, em casos selecionados, tratamento cirúrgico com precisão semelhante à via aberta, porém com menor morbidade, recuperação mais rápida e menor taxa de complicações pós-operatórias.
Por outro lado, há situações em que a cirurgia minimamente invasiva não é recomendada—por exemplo, tumores avançados, extensão pélvica extensa, necessidade de ressecções múltiplas ou quando há risco aumentado de disseminação tumoral. Nesses casos, a via aberta ainda representa o padrão de cuidado.
O ponto central é que a decisão cirúrgica no contexto oncológico deve considerar:
- O tipo de câncer;
- O grau de diferenciação;
- O estadiamento;
- A extensão da doença;
- A segurança oncológica;
- A experiência da equipe cirúrgica.
A prioridade absoluta é a qualidade do tratamento oncológico e o rigor técnico da cirurgia, independentemente da via de acesso.
A cirurgia minimamente invasiva trouxe avanços signif**ativos, mas sua indicação no câncer ginecológico exige análise individualizada e conduta baseada em evidência, sempre respeitando os princípios oncológicos.
RODRIGO FERNANDES M.D. Ph.D. | CRM-SP 130.684 MÉDICO| RQE 72.944