05/04/2026
Essa é uma daquelas histórias que começam no silêncio do espelho e terminam no barulho de um corredor de escola. Durante muito tempo, a pergunta que mais ecoava na minha cabeça não era sobre matemática ou geografia, mas sim uma dúvida que doía no peito: "É verdade que também somos bonitas?"
Eu me lembro da primeira vez que vi uma mancha branca surgir. Parecia uma pequena nuvem querendo tomar conta do meu braço. Depois, outra no rosto, outra nas mãos. Na época, eu não via "arte", eu via um erro. Eu via um mapa de lugares onde eu achava que não pertencia. Na escola, o uniforme parecia destacar ainda mais o que eu tentava esconder. Eu sentia os olhares — alguns de curiosidade, outros de pena — e cada um deles me fazia querer sumir dentro daquela camiseta preta.
Mas aí o destino me apresentou a ela. Quando a vi no corredor, com as mesmas marcas, a mesma "geografia" na pele, algo dentro de mim deu um estalo. Pela primeira vez, eu não me senti um quebra-cabeça incompleto. Nós começamos a conversar sobre as perguntas que ouvíamos, sobre os olhares e, principalmente, sobre aquela dúvida cruel sobre a nossa própria beleza.
Decidimos que não íamos mais esperar que alguém nos desse permissão para nos sentirmos bem. Pegamos um pedaço de papelão, uma caneta preta e escrevemos o que nossos corações precisavam gritar: "También somos hermosas".
Estar ali, no meio da sala, segurando aquele cartaz juntas, foi o momento mais corajoso da minha vida. Porque, naquele segundo, eu entendi que a nossa beleza não é "apesar" das manchas, mas também por causa delas. Elas são a nossa história escrita na pele, uma estampa única que ninguém mais no mundo tem. 🎨
Hoje, quando alguém me olha, eu não desvio mais o rosto. Eu sorrio. Porque eu descobri a resposta para aquela pergunta que me perseguia. Sim, é verdade. Somos bonitas, somos potentes e somos únicas. A nossa pele não é um defeito, é o nosso próprio universo brilhando para quem tiver a sorte de saber enxergar. ✨