02/04/2019
HeartMate 3: o mais novo “coração artificial”. Há alguns dias foram publicados na prestigiada revista New England Journal of Medicine os resultados do estudo MOMENTUM 3, o qual avaliou uma nova geração de “coração artificial”. Quando comparado à versão anterior, o HeartMate 3 mostrou diminuir a incidência de diversas complicações: AVC, arritmias complexas e internações hospitalares, por exemplo. O HeartMate 3 é uma bomba de propulsão, acoplada à ponta do ventrículo esquerdo e à artéria Aorta, que através de um rotor levitado magneticamente promove um aumento signif**ativo na capacidade de ejeção do coração (débito cardíaco), garantindo ao paciente mais tempo de vida, assim como uma melhora importante dos sintomas associados à insuficiência cardíaca.
Anteriormente tais dispositivos eram usados apenas para a manutenção da vida enquanto se aguardava um doador, ou seja, eram usados como “ponte” para o transplante cardíaco. Contudo, apesar de muitos pacientes ainda o usarem com esta finalidade, a maior parte dos pacientes avaliados pelo estudo o utilizaram como terapia definitiva, o que quer dizer que não serão transplantados. Na medida em que os resultados de sobrevida são muitos próximos aos dos pacientes que foram submetidos ao transplante cardíaco, cerca de 81% permanece vivo em 2 anos, f**a claro que estamos caminhando rapidamente para modelos de bombas que certamente serão mais efetivas do que o próprio transplante cardíaco, uma vez que nesses casos é necessário que os pacientes tomem medicamentos para diminuir a resposta imunológica e a rejeição do órgão, o que sempre será um problema. Vale lembrar que em países desenvolvidos o número de órgãos disponíveis para transplante é ainda menor que no Brasil, já que, nestes países, o número de vítimas de morte por trauma é bem menor. Desta forma, dispositivos como este são uma necessidade urgente.
Infelizmente os custos para o implante de um “coração artificial” ultrapassa as centenas de milhares de reais. Além disso, a expertise da equipe de saúde envolvida precisa ser enorme, limitando também o número de hospitais capacitados para o uso. De qualquer forma, não deixa de ser uma grande notícia para a cardiologia.