07/09/2020
📣 LIVE - 15/09/20 - 19H
Abordagens de RESISTÊNCIA: 1 ano de ação direta e formalização como entidade - algo na aparente dicotomia entre se tornar uma entidade oficial pra manter a nossa ação que tem cara de desobediencia civil.
"Com a explosão do COVID 19 e o fechamento das fronteiras com Colômbia e Argentina, nossa missão original — a de oferecer, a partir de recolhimento de doações individuais, acesso ao ab**to legal e seguro para as mulheres que não podem pagar pela viagem ao estrangeiro — ficou momentaneamente inviabilizada. Mas não desistimos: improvisadamente, voltamos nossos esforços para orientar, encaminhar e custear mulheres cuja situação se encontra prevista nas exceções legais de interdição do ab**to no Brasil (anencefalia, risco de morte para a gestante e gravidez fruto de violência sexual).
Desde então, vimos nos deparando com uma situação (para nós) nova.
Nossas constatações iniciais:
1) a explosão da violência doméstica, consequência do isolamento social e confinamento familiar;
2) diminuição drástica dos serviços de ab**to legal e de acolhimento das VVS;
3) enorme desconhecimento no que tange a lei e a Norma Técnica do MS, tanto por parte das mulheres que poderiam dela se beneficiar, quanto dos agentes de saúde, que tem a obrigação de oferecer acolhimento e acesso legal ao abortamento, mas que, em muitas localidades, não o fazem.
Em mesmo tempo, impulsionados por importante mídia espontânea e pela multiplicação viral de nossa comunicação nas redes, ampliamos muito nosso alcance: recebemos, apenas no mês de agosto, quase 200 pedidos de ajuda, longe ainda de atingir nosso potencial, se levamos em conta a realidade de ab**to no Brasil. Em adendo, neste período, estamos nos tornando referência para Abortamento Legal no país (com repercussão internacional), o que pode ser reconhecido, pela iniciativa de contato de inúmeros profissionais, operadores da Política Pública de Saúde, quando necessitam orientar mulheres que procuram os serviços – muitos deles totalmente aparelhados por grupos religiosos — e veem seus pedidos de ab**to legal negados sem razão legal, como ocorreu semana passada no UCAM do ES.
Embora não tivéssemos objetivado, o MILHAS vem assumindo função coparticipe relevante, para o exercício do direito e cidadania, para a execução da política pública, atuando, especialmente na difusão de informações e na articulação de serviços multidisciplinares. Um novo desafio surge com todo esse crescimento — em números e em relevância – e exige hoje que nos capacitemos, em diversos níveis, para o fim do isolamento e, com a abertura das fronteiras com os países vizinhos, a retomada de nossa atuação, agora nos dois âmbitos, garantindo a mais e mais mulheres o acesso ao abortamento seguro e legal, aqui mesmo no Brasil ou nos países vizinhos.
Não possibilitar os meios para nos adequar à função que nos é atribuída pelo contexto da pandemia — e do Brasil —, significaria virar as costas à relevância que adquirimos nesse curto período. E, sem insumos, estamos fadados ao esgotamento e ao colapso da operação."
Juliana Reis é roteirista, diretora e mãe da Laura. E foi através de suas pesquisas sobre o tema do ab**to para fins de ficção, aliado às suas vivências pessoais de abortamento, que ela desenvolveu, desde meados de 2019, a iniciativa da Operação MILHAS pela vida das Mulheres.
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