Lucas Baviera Psicologia

Lucas Baviera Psicologia Página de psicologia e psicanálise, com textos feitos por mim - para você. Página para publicações acerca daquilo que toca o ser humano.

Tão amplo quanto a própria experiência da vida, mas pertinente para a psicologia e seus admiradores e profissionais.

31/05/2024
A convivência, forçadamente, próxima demais.Devido a situação atual, temos visto relatos de maiores brigas e conflitos c...
25/03/2020

A convivência, forçadamente, próxima demais.

Devido a situação atual, temos visto relatos de maiores brigas e conflitos com os familiares ou companheiro(a)s.

Penso que a brincadeira da imagem do post convida a pensar o quanto as nossas intimidades são muitas vezes convenientemente ocultadas nas nossas relações mais próximas. Acreditamos - como numa aposta - que a independência é um caminho para se suportar e possibilitar uma convivência minimamente harmoniosa. O peso da convivência mais próxima, devido a quarentena, coloca esta aposta da independência em cheque.

Outra questão é a agressividade. Muito de nossas pulsões agressivas são gastas ao decorrer de nossa rotina - o escoamento da raiva encontra lugar no transporte público, nas demandas do trabalho ou local de estudo, etc. Com o maior confinamento, os alvos acessíveis acabam sendo os familiares.

Um remédio possível para o momento é apostar na verdadeira e maior comunicação - principalmente daquilo que é difícil dizer. Claro que este movimento vai exigir maior tolerância dos envolvidos. A prática da psicoterapia virtual tem servido nesta situação emergencial como bom auxílio para se enfrentar este trabalho de maiores comunicações entre nossos pares.

Amor voraz e amor maduro - o conceito de "concern"No estudo do desenvolvimento emocional da psicanálise, a primeira mani...
12/02/2020

Amor voraz e amor maduro - o conceito de "concern"

No estudo do desenvolvimento emocional da psicanálise, a primeira manifestação do sentimento de amor é voraz - quer dizer que deseja devorar e se alimentar do objeto de amor.

“Este amor instintual é originalmente um impulso, um gesto, que possibilita ao indivíduo satisfazer sua auto-expressão [...] o bebê se vê surpreso em receber pulsões instintuais de crueldade, frente a um objeto [mãe] que até então o alimenta e o sustenta." (D. Winnicott)

Conhecer estas manifestações de força instintual - ou de paixão, no caso do adulto - podem servir como suporte para quem recebe-as, assim como a quem as experimenta e se assusta com esta potência. A primeira vista, este amor voraz - puxões, mordidas, etc - pode ser rejeitado por ser entendido como destrutivo ou errado.

Evidente que este amor voraz, pode terminar por realmente devorar seu objeto de amor. O ciclo de desenvolvimento do afeto pede por continuação.

A próxima etapa é nomeada pelo psicanalista inglês como "concern" - onde começa a se integrar a lógica do cuidado, norteado por sentimentos de responsabilidade e maior auto domínio, a fim de preservar seu objeto de amor.

Eu não sei ser contrariado.A primeira reação ao se sentir contrariado é fechar-se naquilo que já pensava - se ao extremo...
14/01/2020

Eu não sei ser contrariado.

A primeira reação ao se sentir contrariado é fechar-se naquilo que já pensava - se ao extremo, pode nos levar a situações absurdas, como a retratada na charge;

A psicologia fornece ferramentas para investigação dos "porquês e comos" - em quais pontos ser contrariado te tocam e porque eles podem ser mais sensíveis, ou porque sua maneira de reagir frente a ser contrariado é de algum modo particular.

Porém, fato dado é que enquanto há convivência, haverá divergências. Como lidar - estrategicamente - com isso? Quanto custa, a nível de consequências - pra mim ou para outros - a minha estratégia atual?

Acolher a nossa verdade é uma capacidade - e as vezes uma escolha - apenas de quem nos escuta. Entrar em uma disputa de cobranças - "você não me compreende nunca!" - só pode gerar mais incompreensão. No final, mesmo se o outro ceder, dificilmente satisfará a entrega.

Neste ponto, observo que quanto mais eu mesmo não consigo me compreender, mais eu preciso - e exijo - a compreensão daqueles que me cercam. É como se, ao outro validar o que estou dizendo, passo a sentir que aquilo é verdade mesmo. Percebe-se que esta expectativa abre campo para conflitos diversos - desde intolerância a condescendências falsificadas.

Porque é tão difícil livrar-se de vícios? A função química e a função interpretativa do aparelho mental.É comum que pens...
28/10/2019

Porque é tão difícil livrar-se de vícios? A função química e a função interpretativa do aparelho mental.

É comum que pensemos: "já sei o que precisa ser feito" pra abandonar alguma espécie de vício. Para ir na academia, já sei o que preciso fazer. Assim como para parar de fumar. Acontece que, na hora, não faço. Acabo perdendo esta luta comigo mesmo.

A tentativa de erradicar hábitos nocivos é conflituosa por essência - posto que é difícil pensar em algum hábito nocivo que não forneça para o organismo alguma vantagem imediata. Os minutos adicionais de sono que vencem o despertador para o exercício físico ou a descarga imediata de dopamina que dr**as ou práticas se***is fornecem precisam vencer algo que, de imediato, não está gravado na memória corporal - que é a determinação pessoal, um desejo estabelecido psicologicamente, qualquer seja o motivo.

Daí o conflito que pode desencadear em um ciclo vicioso ou atos compulsivos. Passa-se a interpretar (e essa é a chave do conflito) aquela informação orgânica de diversas formas - culpa é uma comum, assim como a promessa pra posterioridade. Nesta fase, a depender de quanto tempo perdura a batalha interna, já não se pode mais nem "aproveitar" os segundos iniciais de prazer da primeira fase.

Inicia-se aqui o campo subjetivo do hábito nocivo, que só pode ser explicado individualmente, em cada indivíduo, e em cada hábito. Talvez o papel de um bom tratamento terapêutico aqui se fundamente muito mais em ampliar o conhecimento da pessoa sobre o dinamismo de suas "chaves interpretativas" pessoais.

O que eu faço com a minha culpa? Oscilamos frequentemente entre dois sentimentos opostos. Posso me sentir completamente ...
10/10/2019

O que eu faço com a minha culpa?

Oscilamos frequentemente entre dois sentimentos opostos. Posso me sentir completamente injustiçado e incompreendido com alguma situação, mas após uma melhor reflexão ou escuta da outra parte, nos arrebatamos com um sentimento indigesto de culpa.

Neste segundo momento, é comum se perguntar "mas e agora, o que faço com essa culpa?"

Penso que em certa medida, a culpa pode nos ensinar. Talvez amargamente, mas nos ensina a considerar melhor o impacto que as ações podem gerar.

Para adquirir esta compreensão é necessário um exame crítico, mas acolhedor e contencioso. Caso contrário, a culpa de fato pode se tornar uma torturadora - assim como retratada na mitologia grega, como sendo a deusa cujo os pés não toca o chão - mas caminha sobre a cabeça dos homens, os atormentando.

A outra opção, frequente também, é agir como Homer e de projetar a culpa - dele - onde melhor lhe convém.

A boa análise favorece maior transitoriedade entre estes quatro momentos - sem que seja necessário o envelhecer - ou rej...
17/09/2019

A boa análise favorece maior transitoriedade entre estes quatro momentos - sem que seja necessário o envelhecer - ou rejuvenescer - cronológico.

Fonte da tirinha: OV Tirinhas

Porque a depressão persegue aos que fazem sucesso? Freud conceitua em 'Luto e Melancolia'(1917) um mecanismo psíquico no...
15/04/2019

Porque a depressão persegue aos que fazem sucesso?

Freud conceitua em 'Luto e Melancolia'(1917) um mecanismo psíquico no quadro depressivo de auto repreensão inconsciente, que pune e condena a si próprio. Quem vê de fora, sobretudo em casos de sucesso externo e conquistas, não entende o abatimento da pessoa em depressão.

Há na cultura ocidental o mito do cavaleiro Parsifal, que após conquistar o estágio de cavaleiro na corte de Arthur, é surpreendido pela visita de uma donzela tenebrosa que, apontando todas as faltas acometidas pelo cavaleiro ao longo de seu percurso, condena-o culpado dos danos consequentes. Não há como se esconder ou contra-argumentar, pois os acontecimentos são verdadeiros e deixam Parsifal envergonhado.

A única maneira de se livrar da presença desta donzela tenebrosa é aceitar uma jornada de reparação que ela distribui ao cavaleiro. A jornada é árdua e Parsifal só reencontra paz interior quando se encontra com um tio Eremita, que lhe dá a direção seguinte.

Muitas vezes nos vemos sendo visitados pela mesma donzela tenebrosa, em fases de conquistas e prosperidade de nossas vidas. É como se restasse em nós um mal-estar, que quem está vendo de fora, não consegue entender a causa ou origem, mas nos envergonha profundamente, podendo de fato abater-nos ao desânimo e desamparo.

A parábola mitológica sugere que em casos assim há uma tarefa a ser realizada - uma tarefa de reencontro com o inconsciente e com o que se deixou pra trás durante o percurso - para poder desfrutar, sem maiores culpas, do posto atual que a pessoa logrou alcançar por seus méritos.

Não há necessidade de nenhum ato imoral ou injusto ter de fato se consumado - o que sabemos é que o inconsciente está demandando uma audiência no tribunal de contas. Para saber qual é a tarefa de remissão, é preciso que se escute o que esta dor está dizendo e está requerindo.

Sugestão de leitura complementar: https://www.stand-magazine.com/considering-wounded-masculinity-through-parsifal-and-the-fisher-king/

Intimidades na relação a dois - a questão da entrega.Mesmo nas relações duradouras, corre-se o risco de, em certo moment...
19/03/2019

Intimidades na relação a dois - a questão da entrega.

Mesmo nas relações duradouras, corre-se o risco de, em certo momento, "desconhecer" o companheiro.

A possibilidade de (re)aberturas - permitir novamente o contato - pode reverter uma quase automática tendência em transformar relações num pacto não dito de ocultações e silenciamentos.

O que se nota aqui é uma confusão: como se abrir para o deixar-se tocar pelo outro, sem se sentir submisso e entregue. Há, claro, diversos riscos envolvidos no ato de reabrir-se para reencontrar a intimidade.

O risco de "despertar os mortos" é um deles - o contato inicialmente amistoso traz a tona conflitos antigos que foram silenciados, até esquecidos, e a troca se torna insustentável. F**a mais fácil ceder cegamente a vontade do outro - ou impor a sua própria. Quase um "deixa isso pra lá".

Mas cabe perguntar: o que se faz com o risco, aqui assumido, de viver, sempre com este alguém, sem mais trocar e tocar profundamente?

O silenciamento angustiante.Em seu ensaio "O conceito da angústia", Søren Kierkegaard, dentre outras modalidades de angú...
09/01/2019

O silenciamento angustiante.

Em seu ensaio "O conceito da angústia", Søren Kierkegaard, dentre outras modalidades de angústia e ansiedade, fala sobre uma peculiar: o silenciamento, o fechar-se em si.

Explica então a pequena alegoria da imagem do post: "A ênfase [da queda do humano] está justamente nos três mil anos [de silêncio em-si-mesmado ' "matutação"] do diabo, que resultaria na própria queda - dele mesmo. (F**ar 3 mil anos "em-si-mesmado")

" A palavra falada conserva sempre um caráter libertador - mesmo todo desespero reunido em um grito, jamais será tão terrível como o silêncio o é."

Talvez poucas experiências sejam tão necessárias da vivência, da práxis, para se experimentar o real e libertador efeito da palavra que encontra liberdade dos nossos calabouços internos.

O perigo do curador humano se tornar um ídolo.As recentes exposições de casos de abuso envolvendo autoridades espirituai...
21/12/2018

O perigo do curador humano se tornar um ídolo.

As recentes exposições de casos de abuso envolvendo autoridades espirituais nos conduz a repensar a maneira frequente como mesmo o médico e o psicólogo recaem em uma espécie de áurea da irretocabilidade e portador da salvação. Os casos mais graves são quando o condutor da cura compra esta fantasia pra si e a veste sem constrangimentos.

Me fez recordar uma sessão que conduzi a pouco tempo e ilustrei na imagem do post. A fragilidade que alguém que procura ajuda expõe para nós precisa ser respeitada, mas devemos, com cuidado, lembrá-la de não idolatrar seus cuidadores - sob o risco de frustração - ou coisas mais graves, a depender do caráter do cuidador.

Aprendemos na psicanálise que a transferência é o caminho essencial do tratamento. O paciente tem o direito, a princípio, de por o seu analista na posição que por. O caminho, porém, é a inevitável "cair de ficha" - assim como com nossos pais ou outras figuras de referência autoridade. A partir daí, possibilita-se a abertura um novo grau de relações, mais maduras.

Costumeiramente cultivamos - cientes ou não - certas "raivas de estimação". A citação, inaugural do livro de Dostoiévski...
12/12/2018

Costumeiramente cultivamos - cientes ou não - certas "raivas de estimação". A citação, inaugural do livro de Dostoiévski, explicita um comportamento rotineiro, mas que se mantém muitas vezes no oculto de nossa vida interior.

É preciso de coragem para, tanto admitir-se estes pensamentos, quanto para ir além, procurando renegociar com nossas vilezas internas as pecúnias e direitos de locação de nossos espaços particulares.

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Rua Augusta 101
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