Dr Bruno Halpern - Clínica Halpern

Dr Bruno Halpern - Clínica Halpern Endocrinologia e Metabologia

Dr. Bruno Halpern
CRM-SP 124.905

Informações de saúde fornecidas pelo Dr. Bruno Halpern
Atual Editor da Revista "Evidências em Obesidade" da Associação Brasileira de Estudos de Obesidade (ABESO)
Diretor da Associação Brasileira de Estudos de Obesidade (ABESO)
Diretor da Federación Latinoamericana de Sociedads de Obesidade (FLASO), representando o Brasil na entidade
Chefe do Centro de Controle de Peso do Hospital 9 de Julho
Graduado em Medicina, Especialista em Clínica Médica e Endocrinologia - Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo/ Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP
Especialista em Endocrinologia pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia e sócio ativo dessa sociedade

O foco da página é em Metabolismo (Obesidade, Diabetes, Colesterol e risco cardiovascular) e Endocrinologia Geral

O jejum intermitente é sempre tema de grandes polêmicas, com seus entusiastas e detratores (como tudo que envolve nutriç...
21/02/2026

O jejum intermitente é sempre tema de grandes polêmicas, com seus entusiastas e detratores (como tudo que envolve nutrição e controle do peso), mas com mais estudos publicados ao longo das últimas décadas, conseguimos ter uma visão mais clara que ela é uma estratégia válida para alguns, mas que, na média, não leva a perda de peso superior a dietas mais tradicionais.

👉Um grande ponto é que o próprio conceito de jejum intermitente é heterogêneo: há estratégias desde comer durante um período específico do dia (o mais adequado do ponto de vista circadiano é comer de dia e fazer o jejum a noite, o contrário do que a maioria faz), mas existe modelos de grandes restrições em dias específicos, ou até jejum total em alguns dias. Cada um deles tem que ser estudado a parte.

👉De toda forma, uma metanalise feita pelo grupo Cochrane (o mais importante e respeitado grupo para esse tipo de estudo) avaliou dados de 22 estudos de melhor qualidade, e concluiu (com grau de certeza baixa pela grande diferença entre estudos) que a eficácia média foi quase igual ao tratamento controle, com uma diferença não signif**ativa de 300 gramas! Por outro lado, não foi visto riscos médios adicionais, sugerindo que ela pode ser uma estratégia para um perfil de paciente que se adapte a ela, tanto fisiologicamente como socialmente (o que não é fácil).

👉O melhor perfil é para quem f**a tranquilo mais tempo sem comer, mas tem dificuldade em parar de comer quando começa; e deixando de se alimentar em horários socialmente menos problemáticos para ela. O tempo dos estudos foi de 12 meses, o que não permite conclusões de mais longo prazo, e há evidências que a adesão crônica ao jejum tende a ser mais baixa. Outro ponto a considerar é que o JI é contra-indicado em pessoas com transtorno de compulsão alimentar e esses estudos excluem essa população. Na prática, vejo muitos com esse diagnóstico fazendo JI, o que é um risco.

👉Esse não é um achado novo: outras metanalises e revisões já haviam mostrado; mas como há muitos estudos saindo, ter novas evidências, ainda mais da Cochrane, sempre é importante!

Ref: Garegnani. Intermittent fasting for adults with OW or Obesity. Cochrane Database 2026

20/02/2026

Porções menores em restaurantes para quem usa medicamentos para obesidade? - Minha opinião é que essa é uma discussão relevante, mas tardia. Pessoas sempre tiveram necessidades energéticas diferentes e grandes porções sempre foram risco de ganho de peso

No tratamento da obesidade, mais difícil do que a perda de peso é a manutenção do peso perdido. E essa dificuldade vai m...
18/02/2026

No tratamento da obesidade, mais difícil do que a perda de peso é a manutenção do peso perdido. E essa dificuldade vai muito além do comportamento, tendo bases biológicas, com o corpo agindo para que essa recuperação de peso ocorra. Sabemos que o hipotálamo tem grande papel, aumentando a fome e reduzindo o gasto energético, mas há outros atores, como o próprio tecido adiposo, que também sofre mudanças que facilitam a incorporação de gordura após a perda.

👉Um estudo publicado na revista Nature ajuda a preencher esse conhecimento, ao mostrar que as células de gordura retém uma “memória” após a perda de peso.

👉O estudo avaliou o tecido adiposo de tanto humanos como ratos, com vários achados. Em humanos, pessoas com obesidade tinham alterações transcricionais na gordura diferentes de pessoas com “peso normal” e após cirurgia bariátrica, com perdas acima de 25kgs, boa parte dessas alterações permaneceu, daí a ideia da “memória”.

👉Em ratos, além de se mostrar algo semelhante, foi visto que algumas dessas alterações transcricionais estavam relacionadas à capacidade de captar energia e armazenar: ou seja, essas células de gordura eram muito eficientes para, diante de um aporte energético, armazenar o máximo possível, favorecendo assim um ganho de peso mais rápido!

👉Em conjunto, esses dados apontam mais uma razão para a tendência do “efeito sanfona”, ao mostrar que a perda de peso não é suficiente para mudar a característica epigenética da célula de gordura, e mais que isso, essa célula é programada para armazenar energia com mais eficiência. Dados como esse podem levar a buscar terapêuticas que ajam sobre essas vias, mas independente disso, nós lembra mais uma vez porque a obesidade deve ser vista como doença crônica, de tratamento crônico, e que a perda de peso é só o início do processo!

Ref: Hinte. Adipose tissue retains an epigenetic memory of Obesity after weight loss. Nature 2024

É muito comum receber no consultório mulheres na transição da menopausa que se queixam de modif**ações na composição cor...
12/02/2026

É muito comum receber no consultório mulheres na transição da menopausa que se queixam de modif**ações na composição corporal e de fato, essas alterações são bem documentadas.

👉Um estudo clássico mostrou que a tendência de aumento de massa gorda pode ocorrer até 8 anos antes do fim definitivo da menstruação, assim como a redução da massa magra (embora nesse caso, o efeito seja maior 2 anos antes). Não apenas isso, mas nessa fase também existe uma maior tendência de concentração de gordura no abdômen, mais perigosa, o que aumenta o risco de doenças metabólicas nessa fase, além de aumento de gordura em outras regiões do corpo onde ela não se acumulava.

👉O efeito absoluto dessas mudanças, no entanto, é pequeno: na média, mulheres ganham 1,6kgs de gordura nessa fase e perdem 0,2kg de músculo, mas isso não signif**a que o impacto seja idêntico em todas, e algumas podem ter efeitos mais pronunciados e clinicamente mais signif**ativos.

👉As causas que geram isso são multifatoriais, e com influência de hormônios como estrógenos e FSH, mas nenhuma reposição hormonal é capaz de reverter totalmente esse quadro e nem há recomendações de uso de reposição somente para melhorar composição corporal.

👉A boa notícia é que não há evidências de que mudanças de estilo de vida e tratamentos para obesidade e doenças associadas (se elas existirem) funcionem menos nessa fase da vida; assim, como estudos recentes não mostram que o metabolismo como um todo é mais lento nessa fase.

👉Ou seja, embora não seja possível reverter algumas alterações de distribuição de gordura da menopausa, é totalmente possível, se necessário, perder peso é melhorar saúde e qualidade de vida nessa fase da vida!

Ref: Greendale. Changes in body composition and weight during menopause transition. JCI Insight 2020

Com o alerta de risco de pancreatite com os novos tratamentos da obesidade e diabetes (como tirzepatida e semaglutida), ...
11/02/2026

Com o alerta de risco de pancreatite com os novos tratamentos da obesidade e diabetes (como tirzepatida e semaglutida), vejo um erro comum de médicos que acompanham pacientes com essas medicações: colher com frequência amilase e lipase, enzimas produzidas pelo pâncreas (a amilase também é produzida em outras glândulas) e se preocupar caso haja algum aumento discreto.

👉Na realidade, um pequeno aumento e uma flutuação são esperados (signif**am que a pessoa está usando a medicação), e isso de maneira nenhuma signif**a que há riscos de pancreatite. Alguns estudos sugerem q o aumento dessas enzimas ocorre por aumento da síntese proteica no pâncreas; isto é importante porque é um mecanismo totalmente diferente do aumento de amilase e lipase em processos de pancreatite: nesses casos, o aumento de lipase e amilase ocorre por extravasamento e ruptura das células do pâncreas que produzem essas enzimas.

👉Assim, dosar amilase e lipase não é recomendado para quem usa essas medicações e não tem sintomas e mais confunde do que ajuda.

👉É importante frisar que essa relação das medicações com o risco de pancreatite já é discutida há mais de 20 anos, sem um nexo causal bem estabelecido, e a razão indireta mais provável seria por efeitos na vesícula biliar, pois cálculos podem surgir quando se perde muito peso, e caso eles migrem, poderiam causar um pancreatite. Lembro q obesidade e diabetes já é risco para a doença, o que pode confundir a identif**ação da causa.

👉Infelizmente, já tive pacientes com excelentes respostas que pararam de usar por receio ou por desconhecimento de médicos não especialistas que ao verem aumentos discretos sugeriram a interrupção!

👉A grande preocupação é o uso inadequado, sem acompanhamento medico, sem indicação e de produtos de origem duvidosa, vendido fora de farmácias. Com a indicação e acompanhe to correto, essas medicações seguem com perfil de risco/beneficio extremamente favoráveis e com benefícios que vão muito além do peso. Portanto: se você está usando sob prescrição e acompanhamento, cuidado com terrorismos e matérias sensacionalistas Ref - Koehler, GLP1RA increases pancreatic mass by induction of protein synthesis Diabetes 2015

09/02/2026

Não há nada de novo sob o sol; os medicamentos seguem extremamente seguros quando bem indicados; mas são remédios, e como tal, devem ser usados sob prescrição e orientação médica. Agora: são assuntos que interessam a muita gente e cada vez mais teremos matérias como essa.

09/02/2026

Todo mundo se acha especialista em obesidade. E isso atrapalha o tratamento de muita gente.

Gosto muito de discutir sobre os aspectos biológicos que dificultam o tratamento da obesidade, principalmente a longo pr...
08/02/2026

Gosto muito de discutir sobre os aspectos biológicos que dificultam o tratamento da obesidade, principalmente a longo prazo, mas é claro que essa dificuldade pode ser agravada também por aspectos ambientais (que temos pouco controle) e comportamentais, individuais e coletivos.

👉Muitos tratamentos são abalados pelos famosos “sabotadores”, pessoas que, em geral de forma inconsciente e sem maldade (mas nem sempre…), agem contra o tratamento.

👉Ha vários tipos de sabotadores: o mais clássico são nossos próprios pais e familiares que, como forma de carinho, nos oferecem comida. Lembremos que ao longo dos séculos, comida não era facilmente disponível, e alguns tipos de alimentos um luxo, de tal forma que culturalmente, oferecê-la é o mais puro ato de amor. E cultura não morre fácil, de tal forma que essa é uma atitude comum, mas que pode atrapalhar muito.

👉Parceiros também sabotam, quando um não está no mesmo ritmo, e sugere refeições calóricas, reclama pq come pouco, traz comida para casa, etc. Novamente, a intenção pode ser apenas ter companhia, mas pode ser destrutivo. Existem sabotagens menos bem-intencionadas também, como a sensação de mudança do outro que desagrada, ou até inveja.

👉A sabotagem vem também dos que dizem: “perdeu muito, parece doente”, “não precisa mais”, “desse jeito está errado, tem que fazer de tal outro”, e assim por diante.

👉Reconhecer quem são os sabotadores ao redor é o primeiro passo para aprender a lidar com eles, e assim, evitar dizer “sim” somente para agradar, se deixar influenciar por ideias que te afastem de seu plano, etc. 👉Sempre digo a meus pacientes para “jogar a culpa em mim”: “meu médico falou para fazer isso, e ele é especialista”; “estou seguindo um tratamento, não se preocupe, não é da minha cabeça”, etc, etc.

👉Cada situação terá sua particularidade, mas ignorar a existência desses obstáculos tende a torná-los muito mais intransponíveis!

🧐Quem são seus sabotadores?

07/02/2026

Quem tem obesidade, preencha o questionário MAPPS (anônimo), para contar sua percepção sobre o enfrentamento da obesidade pelo Brasil. Isso sera usado para artigos, relatórios e reuniões junto aos gestores, para buscarmos melhorar esse enfrentamento! Vou deixar o link aqui, mas ele também está no link da Bio, e nos stories! https://www.surveymonkey.com/r/RQQZXM7?lang=pt

A obesidade é uma doença crônica e recidivante. Ou seja, não tem “cura”, apenas “controle” e na ausência de cuidados con...
06/02/2026

A obesidade é uma doença crônica e recidivante. Ou seja, não tem “cura”, apenas “controle” e na ausência de cuidados contínuos, o ganho de peso é o natural.

👉Por isso, desconfie de métodos clínicos que prometem “emagrecimento definitivo”. Isto não existe. A manutenção do longo prazo não depende da forma com que você perdeu peso (ou mesmo da velocidade de perda), mas sim do que fará após ter perdido e que permanecerá fazendo. Mesmo a ideia de que perdendo devagar, seu corpo “aceita mais” a perda e garante mais resultados a longo prazo é falsa. Afinal, a tendência natural do corpo é a recuperação. Esse é um conceito relativamente simples, mas pouco difundido.

👉É claro que a forma com que você perde pode ser educativa: Se você faz uma dieta muito maluca, distante do q vc sabe q conseguirá fazer no longo prazo, e sem exercícios, terá mais dificuldades de achar o ponto certo da manutenção e talvez não inicie os exercícios depois. Se você faz uma dieta aprendendo sobre as propriedades nutricionais dos alimentos, calorias, entende melhor sua relação com a comida,
inicia um programa de exercícios, etc, poderá usar essa informação para uma manutenção mais fácil e seguir no ritmo dos exercícios. Mas ainda assim os esforços serão necessários para sempre.

👉Outro problema é fazer uma dieta em que se perca muito massa magra. Nesse caso, a queda do metabolismo será maior e a tendência de recuperação um pouco maior e mais rápida. Ok, é verdade. Mas mesmo perdendo basicamente gordura, haverá tendência de recuperação. Por isso, a importância do exercício como estratégia de manutenção.

👉Veja q falo em tratamentos clínicos: a cirugia têm taxas mais altas de manutenção, pois as mudanças anatômicas levam a mudanças permanentes. Ainda assim, porém, sabemos q os melhores resultados vem daqueles que mantém uma boa adesão à longo prazo na alimentação e exercícios.

👉Perder peso é difícil. Manter mais ainda. Fuja de programas que te prometam emagrecimento fácil e definitivo. A idéia é tentadora. Mas a prática é diferente.

Ref: Vink. The effect of rate of WL on weight regain in adults with OW and obesity. Obesity 2016

05/02/2026

Entenda mais sobre essa aprovação da ANVISA da semaglutida para reduzir eventos cardiovasculares, baseada em dados do estudo SELECT. Ref: Lincoff. Semagutide and CVO in obesity without diabetes. Nejm 2023

O sedentarismo cresceu muito na pandemia, infelizmente. E ele, por si só, pode facilitar o consumo excessivo de caloria...
04/02/2026

O sedentarismo cresceu muito na pandemia, infelizmente. E ele, por si só, pode facilitar o consumo excessivo de calorias. Como assim? Vou tentar explicar.

👉Observações antigas (1954) já mostram que existe uma relação linear entre o nível de atividade física no trabalho e o apetite: pessoas que fazem atividades físicas mais pesadas comem mais do que aquelas que fazem exercícios mais leves. Porém, paradoxalmente, pessoas sedentárias tendem a comer mais do que os que fazem exercícios leves, como mostra o gráfico, e, por isso, estão em risco muito maior de ganho de peso. Isso levou o pesquisador Henry Taylor a fazer a observação da figura, na década de 1950, sugerindo que o desregulasse a nossa capacidade inata de regular o quanto comemos ao quanto gastamos.

👉Meta-analises de estudos mais recentes confirmaram essas observações antigas e hoje muitos acreditam que o exercício físico, mais do que aumentar nosso gasto metabólico, tem função primordial no controle do peso por acoplar o que comemos ao que gastamos, melhorando nossos sinais de (pessoas ativas reconhecem mais quando estão satisfeitas). Por outro lado, o sedentarismo nos levaria a comer por razões “não-homeostáticas”, ou seja, comeríamos mais por prazer e teríamos maior dificuldade em controlar impulsos e nos saciar. Se estamos em ambiente de estresse, isso pode se agravar ainda mais.

👉É um tema complexo, mas muito interessante, que julguei interessante trazer aqui!

Ref: King, Dual-process action of exercise on appetite: increase in orexigenic drive but improvement in satiety. AJCN 2009/ Blundell. Appetite control and energy balance:impact of exercise. Obes Reviews 2015

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