Psicólogo Renne Nunes

Psicólogo Renne Nunes Psicólogo / Psicanalista
Mestre em Psicologia Clínica pela USP
Especialista em Psicoterapia Psican

Você não precisa ser especialista para ser influente.Precisa ser reconhecível.Grande parte da influência contemporânea n...
27/02/2026

Você não precisa ser especialista para ser influente.
Precisa ser reconhecível.

Grande parte da influência contemporânea não nasce da autoridade técnica, mas da identif**ação. O influenciador não fala para todos. Fala para um grupo específico que se vê nele, que confia nele, que encontra ali uma sensação de proximidade. E é justamente essa proximidade que produz adesão.

Isso não é, em si, um problema. Toda comunicação relevante envolve conexão. O ponto sensível surge quando a conexão passa a substituir a competência, especialmente em áreas que exigem responsabilidade técnica, como saúde física e saúde mental.

Vivemos em um contexto de excesso de informação, decisões constantes e fadiga cognitiva. Nesse cenário, alguém que organiza o mundo em listas simples, oferece soluções claras e fala com convicção soa como alívio. A dúvida cansa. A certeza tranquiliza.

Mas há um risco silencioso nessa dinâmica.

Quando a influência se apoia apenas na identif**ação, o critério deixa de ser “isso é consistente?” e passa a ser “isso ressoa comigo?”. O vínculo emocional pode se tornar mais forte do que a formação, a experiência ou a responsabilidade ética.

No consumo, o dano costuma ser limitado. No campo do cuidado, não.

Não se trata de demonizar influenciadores nem de defender um corporativismo vazio. Trata-se de uma pergunta incômoda: estamos valorizando proximidade mais do que preparo? Estamos confundindo ressonância com qualif**ação? Estamos terceirizando decisões que exigiriam reflexão própria?

Influência é poder simbólico. E todo poder simbólico implica responsabilidade.

Talvez o verdadeiro exercício crítico hoje não seja deixar de ouvir influenciadores, mas aprender a perguntar: de que lugar essa fala emerge? Aproximação é suficiente? Ou estamos trocando complexidade por conforto?



Leia o texto completo no link a seguir:

https://rennenunes.com/2026/02/27/the-outsourcing-of-thought/

Quando uma autoridade sanitária afirma que determinada abordagem não é recomendada, o efeito ultrapassa o plano técnico....
24/02/2026

Quando uma autoridade sanitária afirma que determinada abordagem não é recomendada, o efeito ultrapassa o plano técnico. A formulação reorganiza legitimidades, orienta formações e influencia o modo como a sociedade compreende o que é cuidado adequado.

A recente classif**ação da psicanálise como não recomendada no campo do autismo convida a uma reflexão que não pode ser simplif**ada. Não se trata de opor ciência e clínica, nem de defender tradições por apego identitário. Trata-se de examinar os critérios que sustentam nossas decisões coletivas.

A medicina baseada em evidências cumpre função essencial na organização de políticas públicas responsáveis. A mensuração, a replicabilidade e a previsibilidade respondem a demandas legítimas de transparência. Contudo, quando apenas o que é quantificável passa a definir o que é válido, o campo do cuidado pode se estreitar.

No autismo, intervenções estruturadas podem ampliar competências funcionais. Isso é inegável. Ainda assim, a experiência humana não se reduz à adaptação. Sofrimento psíquico, construção de identidade e possibilidade de laço social também são dimensões centrais da existência.

A clínica psicanalítica não se orienta pela normalização, mas pela escuta da singularidade. Seu foco não é corrigir o sujeito, mas sustentar um espaço em que ele possa construir uma posição própria diante da linguagem e do desejo. Essa dimensão não se traduz facilmente em indicadores padronizados, mas tampouco pode ser considerada irrelevante.

A questão não é escolher vencedores. É ética. Que concepção de humano orienta nossas políticas de cuidado? Que dimensões estamos dispostos a reconhecer como legítimas?

No artigo que publiquei, desenvolvo essa reflexão a partir de uma perspectiva epistemológica e ética, examinando os limites e responsabilidades de cada paradigma.







O texto completo encontra-se no link abaixo.

https://rennenunes.com/2026/02/24/autism-paradigms-and-the-ethics-of-care/

...ꜱó ᴀɢᴏʀᴀ ǫᴜᴇ ᴏ ᴀɴᴏ ᴄᴏᴍᴇçᴀA quarta-feira passou com gosto de cinza.Não só no calendário.A cidade acordou varrendo o qu...
20/02/2026

...

ꜱó ᴀɢᴏʀᴀ ǫᴜᴇ ᴏ ᴀɴᴏ ᴄᴏᴍᴇçᴀ

A quarta-feira passou com gosto de cinza.
Não só no calendário.

A cidade acordou varrendo o que pôde
confete, latinha, promessa exagerada.
Mas glitter é traiçoeiro.
Ele f**a.
No canto do olho, no banco do carro,
na memória que insiste.

Na quinta, já teve gente dizendo:
“acabou, agora é foco”.
Como se foco fosse produto de prateleira
e não negociação diária.

Na sexta, dobramos as fantasias com cuidado.
A peruca volta pra caixa.
O short brilhante some no fundo da gaveta.
A gravata reaparece,
pendurada como quem nunca saiu de cena.

Os corpos ainda doem.
As fotos circulam em silêncio estratégico.
Alguns juram que exageraram.
Outros juram que nem lembram.

Dizem que o ano começa depois do Carnaval.

Talvez comece mesmo.

Porque o Brasil é especialista em recomeçar.
Recomeça dieta.
Recomeça academia.
Recomeça projeto.
Recomeça vida.

Mas quase nunca continua.

Voltamos às roupas neutras,
aos e-mails acumulados,
à indignação cronometrada,
à disciplina performática.

E então fingimos que aqueles quatro dias
foram apenas intervalo.

Mas não foram.

Quando a máscara cai,
ou você agradece por recuperar o controle
ou percebe que estava mais vivo quando perdeu.

Segunda-feira já aparece no horizonte,
impaciente,
organizada,
convencida de que manda.

A pergunta não é moral.
É desconfortável:

O que, daquilo que dançou na avenida,
vai sobreviver até o próximo Carnaval?

Ou será que a coragem dura quatro dias
e o resto do ano é que é fantasia?



https://rennenunes.com/2026/02/20/only-now-does-the-year-begin/

.𝖓𝖔 𝖒𝖊𝖎𝖔 𝖉𝖔 𝖇𝖑𝖔𝖈𝖔No meio do bloco, ninguém pede cartão de visitas.O crachá perde a validadeno primeiro pingo de suor.O a...
17/02/2026

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𝖓𝖔 𝖒𝖊𝖎𝖔 𝖉𝖔 𝖇𝖑𝖔𝖈𝖔

No meio do bloco, ninguém pede cartão de visitas.
O crachá perde a validade
no primeiro pingo de suor.

O advogado vira pirata
com argumentação de rum barato.
A médica receita sereia
e mergulha sem prontuário.

O tímido, ah, o tímido...
vira constelação portátil,
glitter espalhado no escuro
como quem descobre que também brilha.

E por algumas horas
a hierarquia dissolve
feito açúcar na caipirinha.

Mas há um detalhe curioso:
a máscara não esconde
ela faz confidência.

Tem quem beba
para soltar o que sempre esteve engarrafado.
Tem quem dance
como quem renegocia contrato com o próprio quadril.
Tem quem beije
como quem testa se o coração ainda tem bateria.

Carnaval é exagero, sim.
Mas exagero de quê?

Do desejo guardado em gaveta trancada?
Da coragem que só aparece fantasiada?
Ou da vontade antiga
de desobedecer o espelho?

Tem santo descendo do andor
para aprender a sambar.
Tem juiz perdendo o juízo
e achando que foi a banda a empurrar.

E a cidade, cúmplice discreta,
finge que não vê
o que sempre soube.

Porque no meio do bloco
ninguém quer saber seu nome inteiro
só quer saber
se você sabe o refrão.

Talvez seja a festa do reprimido,
o ensaio geral do proibido,
o laboratório onde o desejo
faz estágio supervisionado.

Ou talvez seja só isso mesmo:
um grito em technicolor
dizendo sem muita gramática
“eu também existo, doutor”.

No meio do bloco
a pergunta não é “quem você é?”
Isso f**a pra quarta.

A pergunta é outra, mais malandra:
quanto de você
aguenta sambar
antes de pedir licença?



https://rennenunes.com/2026/02/17/in-the-middle-of-the-bloco/

.É 𝓈ó 𝒻𝑜𝓁𝒾𝒶… 𝒮𝑒𝓇á?Olha o bloco dobrando a esquina,olha a vida fazendo sinal.A cidade põe flor na rotinae chama isso de C...
13/02/2026

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É 𝓈ó 𝒻𝑜𝓁𝒾𝒶… 𝒮𝑒𝓇á?

Olha o bloco dobrando a esquina,
olha a vida fazendo sinal.
A cidade põe flor na rotina
e chama isso de Carnaval.

Eu, cidadão tão ajuizado,
tão correto, tão exemplar,
já deixei o pudor guardado
pra ver no que isso vai dar.

Tem doutor virando pirata,
tem poeta pedindo refrão,
tem quem jure que é só bravata
mas ninguém samba em vão.

Vou vestir qualquer fantasia
que não pese demais no meu bem,
porque às vezes o que a gente anuncia
é o que queria ser também.

Se eu dançar fora do passo,
culpa da banda, dirão.
Mas todo mundo sabe: o compasso
já batia no meu coração.

Prometo que é só quatro dias,
terça acaba, eu volto ao normal.
Mas me explique, com simpatia:
quem é que define o tal?

Se quarta-feira me chama
com gravata e opinião,
talvez eu leve na trama
um pouco dessa explosão.

Porque o bloco passa ligeiro,
mas deixa uma dúvida no ar:
se eu gostei do meu descontrole,
será que eu quero voltar?



Divirta-se!

https://rennenunes.com/2026/02/13/its-just-carnival-is-it/

Há decisões que nascem no silêncio e não no barulho dos argumentos. Decisões que surgem quando a mente se esvazia o sufi...
10/02/2026

Há decisões que nascem no silêncio e não no barulho dos argumentos. Decisões que surgem quando a mente se esvazia o suficiente para que outro tipo de voz, mais sutil, mais profunda, comece a falar. 🌙💭

Rubem Alves dizia que uma cabeça vazia é um quarto de brinquedos, um lugar onde as palavras voltam a ser poesia e brincadeira, e onde pensar é, por vezes, jogar pedrinhas ao ar e deixar que elas caiam de outro jeito. ✨🪨
É nesse gesto simples, lançar algo leve e observar como retorna, que nos reconhecemos diante de escolhas que transformam destinos inteiros.

Decidir nem sempre é escolher o que “faz mais sentido”.
Às vezes é sentir o peso de f**ar e o peso de ir, perceber qual pedaço da alma ainda pulsa e qual precisa ser deixado para trás. É perceber que crescer envolve um luto discreto pelos caminhos que não caminharemos.

Escolher é escutar o corpo, o cansaço, o desejo, aquilo que insiste mesmo quando tentamos silenciar. É olhar para o céu, para o chão, para as pedrinhas caindo, e entender que nem sempre clareza é sinal de prontidão. Que, às vezes, clareza é apenas luz demais, sem sombras, sem dúvidas, sem espanto.

Que toda escolha carrega consigo a beleza e o peso do possível. Que decidir é uma dança entre aquilo que se perde e aquilo que, de alguma forma, se encontra. 🌿💛

E talvez, como o menino que joga suas pedras para o alto, aceitar que o mundo nunca volta exatamente do mesmo jeito. Nem nós. 🍃



Jogue suas pedrinhas ao clicar no link a seguir e observe como as palavras podem cair, silenciosamente, no seu colo:

https://rennenunes.com/2026/02/10/an-empty-mind-an-attentive-heart/

.𝐓𝐄𝐌𝐏𝐎No início,apenas o tempo respirava.Um fio tênue,quase inaudível,esticado entre o que ainda não erae o que já press...
06/02/2026

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𝐓𝐄𝐌𝐏𝐎

No início,
apenas o tempo respirava.

Um fio tênue,
quase inaudível,
esticado entre o que ainda não era
e o que já pressentia o fim.

O gesto era mínimo.
O sentido, suspenso.

O tempo se oferecia como promessa
não dita,
como se prometer fosse indecente
diante da delicadeza do instante.

Tudo cabia ali.
O desejo,
a espera,
a ilusão de que durar
era uma virtude natural.

Aos poucos, o som ganhou corpo.

Camadas se sobrepuseram
como decisões nunca assumidas.
A harmonia começou a ceder
ao acúmulo.

Chamaram isso de maturidade.
Chamaram isso de percurso.

Mas o tempo não evoluía.
Ele se repetia com vocabulário mais sofisticado.

A esperança tornou-se método.
A espera, sistema.
O adiamento, ética.

E o que era promessa
passou a exigir fidelidade
sem jamais se cumprir.

Então o ruído.

Nada mais se encaixava.
As notas já não buscavam consonância.
Cada gesto afirmava o contrário do anterior
com igual convicção.

O tempo mostrou seu artifício:
não cura,
não ensina,
não redime.

Administra.
Neutraliza.
Normaliza o insuportável.

[ ... ]

O corpo permanece suspenso
entre impulsos incompatíveis,
incapaz de escolher
sem trair algo essencial.

Tudo vibra,
tudo cansa,
tudo insiste
sem direção.

[ ... ]

O som começa a rarear.

O excesso se dissolve.
A dissonância se cansa de si mesma.

Já não há pergunta.
Já não há acusação.

Apenas o reconhecimento tardio
de que o tempo
não era caminho,
mas desgaste.

[ ... ]

Nesse intervalo mínimo,
algo se revela
sem se formular.

Não há linguagem
para o que se sabe ali.
Não há retorno
para quem soube.

O som falha.
Não conclui.
Cessa.

A luz diminui lentamente,
como se respeitasse
a gravidade do instante.

A cortina desce
sem gesto,
sem resposta,
sem testemunhas.

O tempo não encerra.
Retira-se.

E aquilo que se compreendeu
no último compasso
permanece inacessível
aos que ainda respiram.

Silêncio!



Leia o poema completo no link a seguir:

https://rennenunes.com/2026/02/06/time-2/

Em algum momento, ser homem passou a exigir explicações demais. Antes, pedia-se dureza, resistência, silêncio. Agora, pe...
03/02/2026

Em algum momento, ser homem passou a exigir explicações demais. Antes, pedia-se dureza, resistência, silêncio. Agora, pede-se sensibilidade, consciência emocional, abertura. Entre um pedido e outro, surgem novos nomes, novas expectativas, novas formas de caber. Mas será que mudar os rótulos resolve o cansaço de ter que provar, o tempo todo, que se é homem do jeito certo?

Durante muito tempo, ensinaram aos homens que existir era resistir. Ter casca grossa, corpo firme, silêncio emocional. Agora, pede-se o oposto com a mesma rigidez: sentir certo, falar certo, desejar certo. Mudam os códigos, mas a vigilância permanece.

Talvez o mal-estar não esteja na falta de modelos, mas no excesso deles. Na ansiedade de ter que provar, o tempo todo, que se é homem do jeito certo. Forte, mas não duro. Sensível, mas não demais. Livre, desde que aprovado.

No consultório, nas conversas e nos silêncios, aparecem homens cansados de se explicar. Não por rejeitarem o afeto, mas por não saberem onde colocá-lo sem serem enquadrados. Homens que não querem dominar, mas também não desejam desaparecer. Homens que pressentem que algo não cabe mais, mas ainda não sabem o quê.

Talvez a questão não esteja em escolher entre masculinidades, mas em permanecer, com algum cuidado, nesse lugar incômodo onde nenhuma dá conta por completo. Um lugar de passagem, de suspensão, onde o corpo possa descansar das provas, o afeto circular sem explicações e a existência, por instantes, deixe de parecer um teste a ser vencido.

Porque, no fundo, a pergunta persiste, incômoda e necessária: quando os rótulos se multiplicam, quem escuta o sujeito que sobra?







Se você se sente muito seguro sobre o que é ser homem, talvez valha a pena clicar no link, não para confirmar certezas, mas para escutar o que ainda não tem nome:

https://rennenunes.com/2026/02/03/masculinities-in-transit-between-the-exhaustion-of-models-and-the-desire-to-exist/

Domingo, primeiro de fevereiro,fui ver o céu cair dentro da boca.Palavra p**a, tropeça, vira coisa,vira verbo, vira riso...
02/02/2026

Domingo, primeiro de fevereiro,
fui ver o céu cair dentro da boca.

Palavra p**a, tropeça, vira coisa,
vira verbo, vira riso, vira espanto
quando Gregório salta pela língua
como quem dança em campo minado
sabendo muito bem onde pisa
e mesmo assim tropeça de propósito.

ᴏ ᴄéᴜ ᴅᴀ ʟíɴɢᴜᴀ não é só espetáculo:
é curto-circuito bem-sucedido,
é stand-up com enjambement,
poesia fingindo que é conversa
pra ver se passa despercebida.

Ele salta entre verbos e metáforas,
escorrega em etimologias,
faz da fala um corpo indócil,
vivo, instável, sempre em trânsito,
essa pátria sem mapa nem hino
que mora inteira dentro da boca.

A língua deixa de ser ferramenta
e vira brinquedo sério,
daqueles que desmontam o mundo
enquanto a gente ri.

E no fim, quando o riso sossega,
Caetano sussurra como quem sabe:

Tropeçavas nos astros,
desastrada,
sem saber que a ventura e a desventura
dessa estrada que vai
do nada ao nada

Há acontecimentos que não cabem na notícia nem no espanto imediato. Eles f**am, como um resto de pergunta atravessado no...
30/01/2026

Há acontecimentos que não cabem na notícia nem no espanto imediato. Eles f**am, como um resto de pergunta atravessado no dia. Um cão encontrado ferido é mais do que um corpo em sofrimento é um sinal de que algo falhou antes, muito antes, no gesto, na escuta, no cuidado. A violência não chega gritando, ela se infiltra quando a atenção adormece, quando o mundo anda rápido demais para perceber quem confia. E assim a vida frágil encontra o silêncio, esse lugar onde a dor já não sabe falar e onde a responsabilidade costuma se esconder.

Orelha atravessou o mundo com a simplicidade dos que sabem estar. Um cão comunitário, desses que pertencem ao caminho, à rua, aos encontros breves e aos afetos sem posse. Havia nele uma alegria miúda, quase invisível, feita de presença e espera. Sua passagem não pede ruído, pede permanência. Pede que a memória não seja curta, que o esquecimento não seja o nosso gesto mais fácil. Há vidas que passam para nos ensinar a cuidar melhor do que sabemos, a olhar com mais atenção, a sustentar a delicadeza mesmo quando ela dói. Que Orelha permaneça como essa pergunta viva que nos acompanha, lembrando que quem confia em nós também espera resposta.



Leia o texto completo no link e permita que essa história continue a ressoar:

https://rennenunes.com/2026/01/30/the-beating-of-an-animal-a-social-symptom/

Nos últimos anos, algo tem se intensif**ado silenciosamente no cotidiano das organizações: afastamentos por adoecimento ...
27/01/2026

Nos últimos anos, algo tem se intensif**ado silenciosamente no cotidiano das organizações: afastamentos por adoecimento mental, exaustão persistente, conflitos recorrentes e lideranças sobrecarregadas. Diante desse cenário, muitas empresas sentem que precisam agir e agem rápido. Contratam palestras motivacionais, campanhas de bem-estar ou ações pontuais que sinalizam cuidado e atualização com o discurso contemporâneo.

O problema é que o risco psicossocial não nasce da falta de motivação das pessoas. Ele emerge, na maioria das vezes, da forma como o trabalho está organizado: metas inalcançáveis, sobrecarga contínua, ambiguidade de papéis, conflitos hierárquicos, insegurança organizacional e ausência de autonomia. Quando a resposta institucional se limita a estimular atitudes individuais, o foco se desloca do trabalho para o trabalhador e o risco permanece intocado.

É nesse ponto que a NR-1 marca uma inflexão importante. Ao incluir explicitamente os riscos psicossociais no escopo do Programa de Gerenciamento de Riscos, a norma deixa claro que não se trata de bem-estar genérico, mas de gestão técnica, estruturada e contínua de fatores que afetam a saúde, a segurança e o desempenho no trabalho. Não é sobre eventos isolados, mas sobre diagnóstico, análise, plano de ação e acompanhamento.

Esse movimento não é exclusivo do Brasil. Países como Reino Unido, França, Alemanha, Canadá e Austrália já tratam os riscos psicossociais como riscos ocupacionais, exigindo identif**ação, avaliação e gestão com o mesmo rigor aplicado a outros perigos do trabalho. A NR-1 se insere nesse cenário ao deslocar o debate da intenção para o método.

Talvez o maior desafio não seja motivar pessoas, mas assumir, enquanto organização, a responsabilidade pelas condições que tornam o trabalho possível ou adoecedor. Menos palco, mais método. Menos discurso inspirador e mais gestão consistente do risco.



👉 O que muda quando paramos de motivar pessoas e começamos a gerir, de fato, os riscos do trabalho? Leia o texto completo no link:

https://rennenunes.com/2026/01/27/why-psychosocial-risk-cannot-be-solved-with-a-motivational-talk/

Trabalhar não é apenas produzir. Há algo no trabalho que não cabe nas planilhas, nos indicadores ou nos discursos de efi...
23/01/2026

Trabalhar não é apenas produzir. Há algo no trabalho que não cabe nas planilhas, nos indicadores ou nos discursos de eficiência. Algo que insiste no corpo, atravessa os afetos e se manifesta como cansaço que não se explica apenas pelas horas, como tensão acumulada, como um incômodo difuso que nem sempre encontra palavras. Trabalhar é lidar com o real: com o que falha, escapa, exige improviso e inteligência prática. Entre o que é prescrito e o que de fato acontece, abre-se um espaço invisível onde o sujeito entra em cena. É ali que o trabalho realmente acontece.

Nenhuma organização funciona apenas pela obediência. O trabalho só se sustenta porque alguém acrescenta algo de si: um gesto, uma decisão, um ajuste fino, uma solução encontrada antes mesmo de virar pensamento organizado. Esse investimento é invisível, mas decisivo. E é também aí que o sofrimento começa a aparecer. Não porque trabalhar seja, em si, patológico, mas porque o trabalho convoca o sujeito inteiro. Corpo, desejo, medo, inteligência. Quando esse investimento encontra reconhecimento, cooperação e sentido, o trabalho pode favorecer crescimento e construção subjetiva. Quando encontra silêncio, negação ou violência simbólica, transforma-se em desgaste, cinismo e adoecimento.

O problema é que o sofrimento não desaparece quando é negado. Ele se desloca. O corpo percebe antes, registra tensões, acumula sinais e responde, muitas vezes na forma de fadiga persistente, irritabilidade ou apatia. Talvez um dos maiores riscos do nosso tempo não seja apenas o excesso de exigência, mas a naturalização do desgaste e a crença de que basta resiliência para sustentar qualquer contexto. Pensar o trabalho com seriedade é uma exigência ética. Porque ele pode adoecer ou emancipar, calar ou produzir palavra. E isso nunca é neutro.



👉 E se o que adoece não for a pessoa, mas o modo como o trabalho é organizado e silenciado?
Acesse o link para mais:

https://rennenunes.com/2026/01/23/working-is-not-just-producing-work-as-a-human-experience/

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