13/03/2024
Nota em defesa da organização do 8 de março de São Paulo
“Me quiseram acuada
Ergui meu punho em riste”
Nós, da organização do 8 de Março Unificado de São Paulo, viemos a público denunciar e repudiar a violência misógina e ra***ta perpetrada em nossa manifestação na Avenida Paulista.
Durante semanas, diversas organizações do movimento feminista, negro, sindical, estudantil, de moradia, de luta pela terra, da luta por justiça reprodutiva, ambientalistas, LBTQIA+s (Lésbicas, Bisse***is, Trans, Travestis, Q***r, Intersexo, Asse***is e mais) e partidos políticos, reuniram-se em intensos debates para a construção do ato do 8 de Março Unificado.
Fomos às ruas para denunciar o ataque de Ricardo Nunes aos nossos direitos se***is e reprodutivos na cidade de São Paulo ao suspender o serviço de ab**to legal no Hospital Vila Nova Cachoeirinha, as privatizações realizadas pelo governo Tarcísio, que avança na precarização de nossas vidas, o aumento da violência doméstica, feminicídos e o genocídio do povo negro na Baixada Santista e palestino em Gaza.
Ocupamos as ruas de São Paulo em nossa diversidade política para defender a democracia, nossas vidas e nos colocar em mais um momento de resistência contra o fascismo no Brasil, como temos feito ao longo de anos. Reunimos milhares de mulheres na rua, mostrando a força do nosso movimento e das nossas reivindicações.
Com objetivo de assegurar a nossa unidade e construção política, todas as organizações que constroem o 8 de Março Unificado acordaram que as falas durante a manifestação seriam somente de coletivos, entidades, partidos e movimentos sociais que construíram esse processo político em nossas diversas reuniões, ao longo de meses, garantindo assim que as mais de 70 organizações que construíram ativamente o ato, teriam o direito de fala preservado.
Infelizmente, no dia da nossa manifestação, nos confrontamos com um setor que se diz de esquerda e ao saber que não iríamos abrir a fala para quem não construiu esse amplo processo de discussão política que realizamos, resolveu impedir a realização do ato. A militância de tal organização, o PCO, intimidou as mulheres de todas as organizações políticas que construíram a manifestação do 8 de Março Unificado. Colocaram homens para agredir companheiras e tentaram por diversas vezes impedir que o ato tivesse continuidade. Vivenciamos um brutal episódio de violência política de gênero em pleno Dia Internacional de Luta das Mulheres! Esses são métodos do fascismo e repudiamos que sejam utilizados no espaço políticos que construímos! É importante registrar que não é a primeira vez que identificamos a atuação truculenta desse agrupamento, deste método de agir, para citar alguns exemplos, tentaram inviabilizar a realização do 20 de novembro de 2023 e de vários atos pró Palestina.
Além de o horror praticado no ato do 8 de Março Unificado, foram publicadas em suas redes sociais, ameaças feitas pelo PCO após a manifestação do 8 do Março Unificado às mulheres que foram agredidas no caminhão de som e na porta do caminhão, com cabos de bandeiras, com tapas, socos, pontapés, xingamentos machistas, o PCO deu continuidade a sua tentativa de silenciamento, descrédito e violência contra as mulheres, as feministas e seus movimentos, através das redes sociais. Publicaram em suas redes versões distorcidas dos fatos ocorridos e novas ameaças às organizações do 8 de Março, dando também a entender que iriam aprofundar a violência contra os atos dos movimentos sociais e organizações de esquerda, sempre que suas práticas não fossem aceitas.
Não aceitaremos e nem nos calaremos diante de tal postura! Esclarecemos que o PCO não faz parte dos espaços de construção e articulação do movimento feminista e de mulheres de São Paulo e não é, a partir de agora, bem-vindo nos nossos espaços, por se tratar de uma organização com métodos fascistas, misóginos e ra***tas e que a violência além de denúnciada, nunca será tolerada!
Continuaremos nas ruas enfrentando o fascismo e a Extrema Direita, denunciando a violência contra as mulheres que assola nosso país, defendendo a democracia, em ativa solidariedade ao povo palestino e combatendo o extermínio do povo negro.
Quando uma mulher avança, nenhum homem retrocede!
Assinam a nota
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