27/02/2026
Como pediatra e neonatologista, eu não consigo tratar esse assunto como “só uma polêmica de internet”.
Quando uma marca que vende produtos para BEBÊS usa frases com duplo sentido, piadas sobre relação a três, “rapidinha”, “me excito fácil” e gírias claramente s€xu4is na MESMA embalagem em que aparece um corpo infantil, isso ultrapassa qualquer limite de bom senso e de ética.
Isso não é só “humor para adultos”.
Isso é aproximar o universo s€xu4l do universo do bebê.
E isso é exatamente o que a gente luta todos os dias para afastar.
Bebê não é gancho de piada picante.
Bebê não é recurso de copywriter criativo.
Bebê não é ferramenta para viralizar campanha “sem filtro”.
Quando normalizamos essa mistura, abrimos espaço para:
• dessensibilizar adultos em relação à proteção da infância
• tornar “aceitável” ver corpo de bebê no mesmo contexto de conotação s€xu4l
• enfraquecer o que deveria ser inegociável: a integridade física e emocional das nossas crianças
Eu não estou discutindo aqui a qualidade do produto.
Estou falando de um limite que, na minha visão como médica, mãe e defensora da infância, não pode ser ultrapassado:
nenhuma estratégia de marketing justif**a colar erotização no universo infantil.
Se você se sentiu desconfortável ao ver essas embalagens e campanhas, seu incômodo é saudável.
É seu instinto de proteção funcionando.
Que isso sirva de alerta para nós, pais, mães, profissionais de saúde e marcas:
proteção integral da infância vem antes de qualquer piada, engajamento ou lucro.
Salve esse post para lembrar desse limite.
E me conta nos comentários: isso te incomoda também ou você nunca tinha parado para pensar por esse lado?
🧡Dra Bárbara Alencar
CRM-SP 150.583 / RQE 78403