05/02/2021
A ansiedade é uma dessas respostas ou reações arquetípicas presente em potencial por toda a vida do sujeito, universal. É uma emoção de expectativa diante de uma ameaça futura, concreta ou imaginada, consciente ou inconsciente, com ou sem objeto, e parte necessária da resposta de nosso organismo ao estresse provocado pela ameaça. Ao acrescentarmos, entretanto, que essa resposta é arquetípica, estamos afirmando, então, que ela tem, além de possíveis causas, um caráter finalista: é ordenada para um fim como todo fenômeno energético, persegue um determinado objetivo como todo fenômeno biológico e pertence à hierarquia da Psique como todo fenômeno psíquico, vale dizer, é coordenada pelo arquétipo do Si-mesmo, e ativada por esse mesmo arquétipo naquela situação por causa da eficácia dessa resposta demonstrada ao longo de milhões de anos, como a dor e a febre. Mecanismos de adaptação e evolução, portanto, prontos para serem ativados em cada um dos habitantes do planeta, bastando para isso que a situação que o faz necessário se apresente.
O que mais intriga a todos, é a ausência de objeto. Algo que justifique todos aqueles sintomas: palpitações, sudorese, vasoconstrições, taquipneia, dores, tremores, calafrios, taquicardia, sufocamento, dificuldade para respirar, desespero, insônia, insegurança, irritação, angústia, sensação de morte iminente, de perda do controle si próprio, de que está enlouquecendo; tudo saído do nada, como um raio em um céu azul, repentino e imprevisível. Os manuais chamam de “medo infundado”.
Corridas para as unidades de pronto-socorro, licenças médicas envergonhadas, pesados prejuízos financeiros, familiares em desespero, a experiência assustadora de perda do controle das próprias emoções, sofrimentos sem conta e nada ao alcance da vista que justifique tais reações. Esse fator aumenta a ansiedade, pois torna tudo um insuportável nonsense. Almas em pânico/Quando a alma grita – como mostra o quadro O Grito, do pintor norueguês Eduard Munch, atraiu o olhar das pessoas como aquele que expressa, como nenhum outro, o estado coletivo de desespero e horror da anima mundi de nossa época diante de um mundo que afunda
A alma pede pra ser olhada e cuidada.