14/12/2020
" Avó, o que posso fazer quando estou desesperada? ”
" Costura, minha menina. À mão, devagar. Aproveitando cada onda criada com seus próprios dedos."
" Costurar afasta o desespero?"
" Não. Costurando, bordando você o decora. Olha para a cara dele. Enfrenta-o. Dá-lhe forma. Atravessa-o. E vai além."
" Realmente é tão poderoso costurar à mão?"
" Claro, querida. As pessoas já não costuram e por isso estão desesperadas. As costureiras sabem que com agulha e linha você pode enfrentar qualquer situação escura conseguindo criar obras-primas maravilhosas. Enquanto você move suas mãos é como se você movesse sua alma de forma criativa. Se você se deixar transportar pelo ritmo repetitivo do remendo e do bordado, você entra em um verdadeiro estado meditativo. Você consegue chegar a outros mundos. E o emar**hado de fios emocionais dentro de você se suaviza. Sem fazer mais nada."
" O que você aprende bordando?"
" A enfrentar cada ponto. Só isso. Sem pensar no próximo ponto. A gente se foca no ponto presente, em cada costura. É esse ponto que nos escapa na vida diária. Estamos desesperados porque sempre pensamos no futuro. E se pensamos assim o bordado se torna desarmônico, confuso, pouco curado."
" Sim, mas vó... as preocupações e medos como vencer com a costura?"
" Minha menina. Você não precisa vencer. Precisa acolher os medos, as preocupações. E compreendê-los. Costurando se tece o enredo da vida com suas mãos, é você que cria o vestido adequado para si mesma. Bordando você se conecta àquele fio fino que pertence a toda a humanidade e aos seus mistérios. Costurando você se transforma em uma ar**ha que tece sua teia contando silenciosamente ao mundo todos os segredos da vida. Entrelaçando os fios, entrelace seus pensamentos, suas emoções. E você se conectará ao divino que está em você e que segura o início do fio."
(Elena Bernabé.)