07/11/2025
Há lugares que abrem portas e, ainda assim, mantêm muros.
Lugares onde o tempo parece suspenso, entre a lucidez e o delírio, entre o cuidado e a contenção.
Caminhar por um hospital psiquiátrico é atravessar fronteiras invisíveis: do outro, e as nossas. É se deparar com a fragilidade que habita em todos nós, ainda que escondida sob camadas de razão e aparência.
Ali, o corpo fala o que a alma não deu conta de dizer. O olhar pede aquilo que o mundo negou. E nós, estagiários, aprendizes da escuta e do humano, aprendemos que nem sempre é possível compreender, mas é sempre possível estar.
Há dor, há força, há medo, há ternura. Há o encontro entre quem tenta cuidar e quem, de algum modo, também precisa ser cuidado.
Hoje, encerramos mais um ciclo, saio desse estágio no hospital psiquiátrico com mais perguntas do que respostas.
Mas com a certeza de que todo encontro, mesmo quando atravessado pela dureza, deixa marcas que, com o tempo, viram aprendizado, compaixão e humanidade.
Com a sensação de que estar diante da dor psíquica é, antes de tudo, estar diante da vida em sua forma mais nua e verdadeira.
Com a compreensão que a experiência no campo psiquiátrico não é sobre entender o que se passa, mas sobre sustentar a presença diante do que escapa à razão.
E é justamente aí que o aprendizado se torna mais profundo: no reconhecimento de que cuidar também é deixar-se afetar.
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