Psicóloga Natália Marques

Psicóloga Natália Marques *Atendimento clínico;
* Região da Mooca;

02/12/2025

Ana Suy diz que: “O amor é um misto de bancar a solidão com ter sorte, atravessado por um encanto com um outro que insiste”. O amor, e as relações românticas, não são uma fórmula matemática exata, mas nossa neurose, ainda mais em tempos de neoliberalismo, onde acreditamos que tudo se compra e manda fazer ao nosso gosto, nos fazem acreditar que as relações também podem ser um produto, criado e projetado para atender todos os nossos desejos (e até os desejos que nem sabemos que temos).

Passamos uma vida toda acreditando em um discurso de que encontraremos nossa alma gêmea, acreditando que a alma gêmea está no espelho, no igual: mesmos planos, mesmos desejos, mesmos gostos. É aquela projeção fantasiosa de “alguém que complete minhas frases antes que eu as termine”. Acreditamos que o espelho é a fórmula da felicidade, em primeiro lugar, como se nós amássemos a nós mesmos “tanto assim”, por inteiro, e por consequência fôssemos amar este outro igual. Somos seres divididos, que nos amamos e odiamos, tudo ao mesmo tempo; que não nos conhecemos por inteiro; que muitas vezes “jogamos contra nós mesmos”, e nos surpreendemos e decepcionamos com o desconhecido e assustador em nós. Então, esta “alma gêmea espelho” não seria uma boa ideia, não é mesmo? Mesmo se ela existisse! E que tédio seria...

O amor costuma ser um encontro, nem de iguais, nem de opostos completos, mas de sintomas. Amamos o outro pelo que sabemos, o que é racional: planos, desejos, sonhos, gostos semelhantes, química, afinidade... e também pelo que é diferente e pelo “que nem sabemos o que é”. Algo que aquele outro desperta em nós que nos equilibra, incomoda e movimenta.
Em “amores materialistas” vemos um amargo retrato das relações-produto no neoliberalismo. Pessoas fixadas em uma posição infantil de “a majestade o bebê”, acreditando que parceiros amorosos podem ser como se pedisse uma imagem hoje na IA. Muitas vezes nos iludindo com a fantasia que criamos do outro no maior estilo “casamento às cegas” e não conseguindo despir um tanto desta fantasia para verdadeiramente ver este outro, em quem ele é.

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Sorriam! Sorrimos!
22/11/2025

Sorriam! Sorrimos!

Hoje foi dia de falar sobre assédio sexual e moral no , sempre com a dupla .Estava com saudades das palestras! Como é bo...
14/11/2025

Hoje foi dia de falar sobre assédio sexual e moral no , sempre com a dupla .

Estava com saudades das palestras! Como é bom poder falar sobre um tema tão importante em um ambiente tão acolhedor !

Em tempos em que vemos uma crescente romantização e um retrocesso do lugar de “esposa tradicional” e “esposa troféu”, nu...
07/11/2025

Em tempos em que vemos uma crescente romantização e um retrocesso do lugar de “esposa tradicional” e “esposa troféu”, nunca é demais lembrar todos os perigos envolvidos em vidas de ilusão, em prisões disfarçadas de liberdade.
Assisti aos três primeiros episódios da nova série Tudo é Justo (Disney) e tenho gostado muito. A série retrata a história de três advogadas que trabalhavam em um escritório extremamente machista e decidem montar o próprio escritório feminista, focado em divórcios de mulheres. A trama aborda histórias de diversos casamentos violentos, especialmente entre milionários e famosos, expondo golpes e estratégias de manipulação que homens poderosos aplicam em mulheres, com promessas ilusórias de luxo e glamour para mascarar a violência.
A série também mostra como nós, mulheres, mesmo em meio a tanta informação e consciência sobre a violência masculina, precisamos estar atentas para não sofrer violências (inclusive patrimoniais) sob a “neblina” causada pelo medo de não casar após o avançar da idade, de não ter filhos ou uma família tradicional; o medo de não ser escolhida ou amada por um homem — ilusões que vendem a promessa de completude. Estamos sempre vulneráveis à violência masculina dentro das relações e precisamos estar vigilantes — não só com informação, mas também com uma análise franca e dura, entrando em contato com nós mesmas, nossos medos, repetições e vulnerabilidades, para não cair em falsas promessas ou ignorar grandes “bandeiras vermelhas” por medo de “estar só” ou de não cumprir as imposições e insígnias da feminilidade imposta.
Obs.: para quem, como eu, também ama moda: além de todas essas temáticas, a série traz muita informação sobre o assunto e conta com um elenco incrível!
Me conta aqui se você vai assistir à série, se já começou a ver e o que achou!

Um desabafo com uma reflexão 🗣️Como isso tem afetado vocês ?Me conta aqui 👇
06/11/2025

Um desabafo com uma reflexão 🗣️

Como isso tem afetado vocês ?
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Lidar com o amor e o ódio é um dos principais conflitos do sujeito. Melanie Klein fala sobre este conflito com primor, l...
20/10/2025

Lidar com o amor e o ódio é um dos principais conflitos do sujeito. Melanie Klein fala sobre este conflito com primor, lidar com a ambiguidade requer amadurecimento.

Muitas vezes colocamos as pessoas em pedestais intocáveis para não precisar lidar com o ódio que sentimos. Idealizamos para nos defender do ódio, pois não parece possível amar e odiar ao mesmo tempo. Mas toda a idealização quando chega em sua queda, leva ao total oposto, o ódio completo. O sujeito idealizado, ao nos frustrar da posição idealizada que nós mesmos colocamos se torna um inimigo, um vilão.

É preciso amadurecer para lidar com a ambiguidade amor e ódio, com o fato das pessoas poderem ser boas e ruins ao mesmo tempo (inclusive nós mesmos). E (algumas) maravilhosas e detestáveis, tudo junto.

Aquele que se acha bonzinho demais também pode estar se defendendo do mocinho e do vilão que mora dentro de si, podendo também ter uma dolorosa queda do pedestal de si.

Tem quem viva em uma gigante ambiguidade entre o desejo de se esconder bem longe… Se abrigar em uma ilha deserta distant...
09/10/2025

Tem quem viva em uma gigante ambiguidade entre o desejo de se esconder bem longe… Se abrigar em uma ilha deserta distante de tudo em todos, rasgando todos os mapas, rastros, restos que levem as pessoas até a ilha garantindo que assim nunca será encontrado.

Mas muitas vezes, é essa mesma pessoa que “esquece” um mapa, uma pulseira, um acessório, algo que a identifique pelo caminho para assim garantir que será encontrada. E assim também testar se as pessoas a procurariam, quanto a procurariam e o que estariam dispostas a fazer (e perder) para encontrá-la.

Se escondendo assim como uma criança que se esconde atrás de uma cortina com os pés às mostra garantindo que assim será vista.

Uma ambiguidade entre buscar e fugir do amor, pois o amor implica medo-perda-falta. Fugir do amor já é garantir a perda sem surpresa, mesmo que se pague com o risco de perder a possibilidade do ganho. Tem quem prefira o vazio do nunca ter do que angústia da possibilidade do ter e perder.

Muitas vezes também o que se deseja é o amor, mas se escolhe a ilha, pois se tem medo que o amor abocanhe por completo, que com o amor não exista mais nenhum momento de solidão. Que seja só presença-lotação-sufoco-pouco ar. É um tudo ou nada, ilha deserta ou metrô lotado em horário “de pico”; Amor nenhum ou viver exclusivamente como serva desse amor…

Muitas vezes, o que se deseja é um amor que permita também momentos de ilha, mas com um barquinho que se possa retornar ou como Winnicott disse “a capacidade de estar só na presença de alguém”.

Compilado ❤️💭
06/10/2025

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