16/12/2025
Sou uma pessoa impaciente.
A maternidade escancarou isso para mim. Ela revelou o quanto meu coração é duro e o quanto preciso aprender a amolecê-lo.
Quanto mais olho para minhas filhas, mais compreendo que toda mulher tem em si uma vocação materna — mas nem toda mulher está disposta a responder a esse chamado. E não por falta de amor, mas porque a maternidade não é romântica. Ela é real. E a realidade pesa.
Ser mãe é carregar uma cruz concreta. Não apenas cuidar do corpo, da rotina e do cansaço, mas assumir uma responsabilidade que ultrapassa esta vida. Educar um filho não é só prepará-lo para o mundo, é conduzi-lo à maturidade humana e espiritual. É formar um ser que não termina aqui.
Por isso, quando a maternidade é vivida sem transcendência, ela se torna insuportável. Sem Deus, o sofrimento perde sentido, o sacrifício vira opressão e a doação parece exploração. Não é por acaso que surgem discursos como: “Amo meu filho, mas odeio a maternidade.” Isso não é liberdade — é esgotamento de uma alma que perdeu o eixo.
Amar a maternidade não significa gostar do cansaço, das noites sem dormir, da renúncia ou da desobediência. Significa compreender que tudo isso faz parte do caminho, mas não o define. A maternidade não se resume ao sofrimento, mas também não foge dele. Ela o integra a um sentido maior.
Chego, então, a uma conclusão simples e exigente:
casamento e maternidade só se sustentam quando vividos à luz da transcendência. Quando se aceita o sofrimento inevitável, abandona-se o papel de vítima e se escolhe a responsabilidade. Arregaçam-se as mangas. Porque reclamar não salva ninguém — mas amar, educar e perseverar, sim.