Paulo Schutz

Paulo Schutz Ortopedia e traumatologia

O paradoxo da confiança: por que confiamos o corpo sem contrato, mas não o dinheiro?É um paradoxo silencioso e profundam...
18/01/2026

O paradoxo da confiança: por que confiamos o corpo sem contrato, mas não o dinheiro?

É um paradoxo silencioso e profundamente revelador observar que uma pessoa aceita, sem exigir garantias formais, que um médico abra seu corpo, penetre seus tecidos, intervenha em sua carne viva, confiando-lhe aquilo que há de mais íntimo e irreversível.
Entretanto, quando a relação envolve dinheiro, contratos passam a ser exigidos, cláusulas são escrutinadas, riscos calculados com minúcia quase obsessiva.

À primeira vista, isso soa ilógico. Como pode o corpo valer menos que o dinheiro?
Mas, sob uma análise psíquica e filosóf**a mais profunda, o fenômeno se torna não apenas compreensível mas quase inevitável.

1. A dissociação moderna entre corpo e eu (o ego é a instância psíquica que:
• organiza a experiência consciente
• media impulsos internos e realidade externa
• constrói a sensação de identidade “eu”)
Segue👇🏽

Quando um cliente não consegue chegar ao valor de um trabalho seu, raramente é apenas sobre dinheiro. O preço, nesse mom...
12/01/2026

Quando um cliente não consegue chegar ao valor de um trabalho seu, raramente é apenas sobre dinheiro. O preço, nesse momento, torna-se um espelho incômodo: reflete limites, frustrações e, sobretudo, a dor de reconhecer a própria impossibilidade.
Na psicologia, esse movimento é conhecido como mecanismo de defesa. Diante da frustração, o ego busca preservar sua integridade deslocando o conflito para fora. Em vez de entrar em contato com a sensação de perda, insuficiência ou dependência, o sujeito transforma aquele que cuida em inimigo. Assim, o valor deixa de ser um dado concreto e passa a ser vivido como afronta.
Como observou Sigmund Freud, “o ego não é senhor em sua própria casa”. Quando confrontado com limites, ele reage não com lucidez, mas com proteção — ainda que essa proteção se manifeste como desqualif**ação do outro.
Há também um componente profundamente humano: aceitar o valor de algo é reconhecer seu valor simbólico. E reconhecer valor implica reconhecer necessidade. Para muitos, isso é intolerável. Jean-Paul Sartre já alertava que “o inferno são os outros”, não porque os outros sejam maus, mas porque eles nos devolvem imagens de nós mesmos que não estamos prontos para aceitar.
Na filosofia, essa atitude encontra eco na antiga fábula da raposa e as uvas, registrada por Esopo: ao não alcançar o que deseja, a raposa conclui que as uvas estavam verdes. Desqualif**ar torna-se mais fácil do que admitir o desejo frustrado.
Por isso, aquilo que antes era visto como cuidado passa a ser reinterpretado como exploração; o vínculo, como engano; o trabalho, como exagero. Não porque tenha mudado de fato, mas porque a narrativa interna precisou mudar para aliviar a dor. Como escreveu Friedrich Nietzsche, “quem luta com monstros deve cuidar para não se tornar um deles” — às vezes, o monstro é o ressentimento que nasce da impotência.
No fundo, demonizar é uma tentativa desesperada de restaurar a própria dignidade ferida. É mais suportável pensar que o outro errou do que aceitar que, naquele momento, não se pôde ir além. Segue👇🏽

04/01/2026

🐕 Seu cachorro te segue até o banheiro?
Não é carência.
Não é “grude”.
E definitivamente não é acaso.

A ciência mostra que esse comportamento tem raízes profundas na neurobiologia do vínculo cão–humano.

Cães não apenas convivem conosco.
Eles co-regulam seus sistemas nervosos ao nosso.

🔬 Estudos demonstram que:
• A presença do tutor reduz o cortisol do cão
• Aumenta a oxitocina em ambos
• Estabiliza a variabilidade da frequência cardíaca (HRV)

Ou seja:
👉 estar perto de você é, para o cão, um estado de segurança fisiológica.

📚 Nagasawa et al., Science, 2015
📚 Katayama et al., Physiology & Behavior, 2019

Quando você se afasta, o cão não sente “saudade romântica”.
Ele sente quebra de previsibilidade biológica.

Quando volta a f**ar perto:
• O sistema nervoso parassimpático retoma o controle
• O coração desacelera
• O corpo entra em equilíbrio

💡 Não é que os corações “batem como um só” —
mas entram no mesmo estado fisiológico.

E isso…
é ainda mais bonito do que a metáfora.

Da próxima vez que seu cão te seguir:
• Não afaste
• Não rotule
• Não corrija

📌 Reconheça:
você é a base de segurança de outro ser vivo.

E talvez o maior aprendizado aqui seja esse:
👉 amar também é regular o outro com a própria presença.

📚 Fontes (para legenda estendida ou comentário fixado)
• Nagasawa M. et al. Science, 2015
• Katayama M. et al. Physiology & Behavior, 2019
• Kis A. et al. Frontiers in Psychology, 2020

Às vezes a vida nos lembra, de forma silenciosa, que os anjos não têm asas visíveis.Eles aparecem na forma de um instint...
29/12/2025

Às vezes a vida nos lembra, de forma silenciosa, que os anjos não têm asas visíveis.

Eles aparecem na forma de um instinto que protege,
de uma mãe que não abandona, mas igualmente perdida com seu filhote
de um ser pequeno que atravessa enchentes, perdas e medos
sem jamais perder o fio invisível do amor.

Ela sobreviveu às chuvas do RS agarrada à mãe.
Perdeu o lar.
Perdeu o chão.
Perdeu o conhecido.

Veio para outro abrigo, outro colo, outra tentativa de segurança.
Mas o coração… o coração ainda sabia onde estava seus destinos
E mesmo sem entender o mundo novo, buscou a mãe, não sai muito de perto dela
Quatro dias de ausência que pareceram eternidade.
Quatro dias de sabedoria silenciosa, guiada por algo maior do que o medo.

Hoje, elas se reencontraram.
E quando isso acontece, não é fuga — é reconhecimento.
Agora não fogem mais.
Agora sabem que estão seguras.
Agora sabem que o amor não foi quebrado, apenas testado.

E nesse caminho, mais um anjo apareceu.
Um amigo chamado Fernando,
que foi ponte, abrigo e resposta
no exato momento em que o destino poderia ter falhado.

É assim que os anjos agem.
Não fazem barulho.
Não pedem crédito.
Não aparecem quando tudo está fácil.

Eles surgem quando a vida pesa
e nos lembram que ainda existe ordem no caos,
que ainda existe retorno,
que ainda existe casa.

Hoje, elas estão em casa.
E nós, um pouco mais certos de que
anjos estão por todos os lugares —
basta ter o coração atento para reconhecê-los. Obrigado

15/12/2025

Chore no quarto.
Sorria na sala.

Entre amigos, cuide da língua.
Há confidências que não pedem palco.

Conhece-se o casal no convívio,
mas revela-se no divórcio.

Nascemos sem trazer nada
e partimos exatamente da mesma forma.
O que f**a não é o que acumulamos,
é como atravessamos os outros.

Trate bem as pessoas.
E não se esconda atrás de versículos da Bíblia
se eles não se manifestam em prática.

Separe tempo para aquilo
que o dinheiro jamais poderá comprar.

Endereço

Fernando Abott, 274/204
Santa Cruz Do Sul, RS
96810-072

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