Brenda Alberto Endocrino

Brenda Alberto Endocrino Médica Endocrinologista Trabalho como médica endocrinolgista.

Sou formada pela UFSM - RS, fiz residência médica em clínica médica e endocrinologia (HCPA - RS), membro da SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabolismo).

Hoje o calendário marca o Dia Mundial da Obesidade.Mas, para mim, não é uma data. É a minha vida, minha rotina.Sou endoc...
04/03/2026

Hoje o calendário marca o Dia Mundial da Obesidade.

Mas, para mim, não é uma data. É a minha vida, minha rotina.

Sou endocrinologista.
Estudo obesidade.
Trato obesidade.
E vivo com obesidade.

Então, quando alguém resume essa doença a “força de vontade”, eu não escuto apenas como médica.

Eu escuto como quem sente o peso do julgamento antes mesmo de abrir a boca.

Para mim, todo dia é dia de explicar que obesidade é doença crônica.

Todo dia é dia de lembrar que fisiopatologia não é opinião.

Todo dia é dia de defender que tratamento não é atalho.

Mas também é dia de luta silenciosa.

É dia de provar minha competência antes mesmo de provar conhecimento.

É dia de ocupar um espaço onde muitos ainda esperam que o especialista tenha “corpo de autoridade”.

É dia de enfrentar o preconceito — às vezes explícito, às vezes sutil.

Existe algo profundamente contraditório em ser médica da obesidade e carregar no próprio corpo a doença que estudo.

E, ao mesmo tempo, existe algo profundamente coerente.

Porque eu não trato números.

Eu trato pessoas.
E sei, por dentro, que obesidade não é falta de caráter.

É biologia.
É contexto.
É história.
É cronicidade.

Hoje, muitas páginas vão falar sobre estatísticas.
Sobre prevalência.
Sobre novos medicamentos.

Eu quero falar sobre respeito.

Porque para quem vive essa doença — como paciente ou como profissional — não é uma pauta anual.

É uma construção diária.

Para mim, todo dia é Dia da Obesidade.

E todo dia eu escolho estar do lado da ciência.
E do lado do paciente.
Inclusive quando o paciente sou eu. ❤️

Vendo pessoas já usando “Retatrutide”, eu me pergunto: Por que as pessoas se sujeitam a qualquer coisa quando o assunto ...
02/03/2026

Vendo pessoas já usando “Retatrutide”, eu me pergunto: Por que as pessoas se sujeitam a qualquer coisa quando o assunto é obesidade?

Porque o desespero é maior que o razão?
Ou o cansaço é maior que a prudência?

Vivemos em um país onde obesidade ainda é vista como falha moral — não como doença crônica. Algo que se resolve com uma caneta “superior”

Então, quando surge uma promessa “mais potente”, “mais rápida”, “mais revolucionária”… ninguém parece se perguntar “é seguro?”, só querem saber “onde eu consigo?”

E isso não é fraqueza individual.
É resultado de anos de estigma, pressão estética e desinformação.

Quando uma doença é tratada como vergonha,
qualquer solução vira salvação.

Mas obesidade não precisa de caneta mágica.

Precisa de diagnóstico, estratégia, acompanhamento e evidência.

O problema não é querer tratar.

O problema é aceitar qualquer coisa para tratar.

E talvez a pergunta mais importante seja: por que ainda colocamos tanta urgência estética acima de segurança médica?

Se você é paciente, reflita.
Se você é profissional, mais ainda.

Quem banaliza tratamento não está sendo inovador.
Está sendo irresponsável.

02/03/2026

Tentando explicar melhor sobre a promoção do Wegovy:

- só vale para Wegovy (dependendo da apresentação Poviztra ainda sai mais barato, mesmo ganhando 1 caneta)
- precisa ter na receita: sua caneta atual e 1 caneta de Wegovy 0,25, afinal ele é um medicamento controlado
- vale 1 caneta por prescrição, se sua receita for de uso contínuo, você pode usá-la por 3 meses, mas terá direito a apenas 1 caneta de 0,25 e não 3.

Questionamentos que me chegaram aqui e na rede vizinha:

Sim, a patente vai cair em 20/03/26, mas não existe nenhuma garantia de quando chegarão nas farmácias essas novas canetas de semaglutida mais baratas (eu pelo menos não sei de nada).

Para quem vale muito a pena: quem quer começar (terá 3 meses de tratamento comprando 1 caneta de 1mg, que custa 999 reais) e quem usa doses baixas como 0,25 ou 0,5mg. A partir de 1mg, me parece mais vantajoso usar Poviztra 2,4mg (que não está mais em falta).

Espero que tenha ficado mais claro agora, mas qualquer dúvida pode me chamar nos comentários ou pelo direct.

Eu também gostaria que fosse diferente.Que a gente tratasse, resolvesse e pronto.Eu sei que ninguém quer “depender” de r...
23/02/2026

Eu também gostaria que fosse diferente.

Que a gente tratasse, resolvesse e pronto.

Eu sei que ninguém quer “depender” de remédio. (Ainda mais caro desse jeito…)

Eu também não queria.

Mas existe uma diferença enorme entre dependência e tratamento contínuo.

E talvez a maturidade esteja em parar de buscar alta
para uma condição que exige acompanhamento.

Se isso te incomodou, compartilha.
Porque a conversa precisa amadurecer.

Wegovy em comprimido não é o mesmo que Rybelsus.Apesar de ambos conterem semaglutida, a nova formulação oral para obesid...
22/02/2026

Wegovy em comprimido não é o mesmo que Rybelsus.

Apesar de ambos conterem semaglutida, a nova formulação oral para obesidade foi desenvolvida para maior absorção e em doses mais altas, o que significa maior eficácia na perda de peso.

Se você não respondeu ao Rybelsus, pode sim responder ao Wegovy.

Não serão intercambiáveis.

E não entregarão o mesmo resultado.

Aguardando ansiosamente sua chegada no Brasil, que junto com Wegovy 7,2mg, devem ser as grandes novidades no tratamento da obesidade no Brasil esse ano.

Orforglipron dificilmente chega, e retatrutida só de fonte duvidosa mesmo (pois não foi aprovado por nenhuma agência regulatória do mundo ), e esse tipo de opção, nós que realmente cuidamos da saúde, nem em sonho, usaríamos!

Se você já se sentiu envergonhada em um atendimento por causa do seu corpo, eu quero que você saiba: isso não é normal. ...
21/02/2026

Se você já se sentiu envergonhada em um atendimento por causa do seu corpo, eu quero que você saiba: isso não é normal. Não é aceitável. E não deveria ser tolerado.

Talvez ele ajude alguém a entender que não é “fraca”.
Talvez ele ajude um profissional a repensar sua postura.

E se você é da área da saúde, reflita:
seu consultório é um lugar de acolhimento… ou de medo?

Existe um ponto que quase ninguém fala na internet:Os medicamentos antiobesidade têm limite de ação.No caso da tirzepati...
20/02/2026

Existe um ponto que quase ninguém fala na internet:

Os medicamentos antiobesidade têm limite de ação.

No caso da tirzepatida (Mounjaro), os estudos pivotais mostram:

📌 Perda média de aproximadamente 15% a 22% do peso corporal (dependendo da dose e população estudada).
📌 Platô geralmente ocorre entre 60–72 semanas.
📌 Existe percentual de não respondedores clínicos.
📌 A resposta é variável e dependente de adesão, dose, perfil metabólico e genética.

Isso significa:

Se alguém saiu de 100 kg para 80 kg (20% de perda), está dentro — e muitas vezes no topo — do que a evidência científica mostra como resposta esperada.

Querer chegar a 50 kg pode não ser falha do medicamento.
Pode ser simplesmente além do limite farmacológico atual.

Medicação não reprograma biotipo.
Não apaga genética.
Não transforma estrutura corporal.

Ela trata uma doença crônica complexa e reduz risco metabólico.

E para algumas metas muito abaixo do set point biológico?
Hoje, a evidência mostra que apenas cirurgia bariátrica alcança perdas maiores e sustentadas em determinados perfis.

A frustração muitas vezes nasce da expectativa irreal — não da falha terapêutica.

Tratamento sério de obesidade começa com uma pergunta honesta: Qual é a meta possível com ciência?

Salve esse post. Informação protege mais que hype.

Obesidade é doença crônica complexa.Não é teste de caráter.E tratamento não é prêmio para quem sofreu o suficiente.Compa...
19/02/2026

Obesidade é doença crônica complexa.
Não é teste de caráter.
E tratamento não é prêmio para quem sofreu o suficiente.

Compartilhe.
Essa conversa ainda precisa acontecer dentro dos consultórios.

Hoje eu ouvi a mesma pergunta várias vezes no consultório. E eu entendo o medo. Mas eu também sei o peso que uma manchet...
16/02/2026

Hoje eu ouvi a mesma pergunta várias vezes no consultório. E eu entendo o medo.

Mas eu também sei o peso que uma manchete tem quando não vem acompanhada de contexto.

Então resolvi mais uma vez tentar explicar aqui...

Os análogos de GLP-1 revolucionaram o tratamento da obesidade.

Como todo medicamento, exigem critério e acompanhamento.
Mas transformar sinal de farmacovigilância em condenação definitiva não é ciência. É ruído.

Por dados assim NÃO ESTABELECEM CAUSA! Até porque não foram excluídas as outras causas de pancreatite.

Nos estudos controlados, onde se exclui, a pessoa que usa caneta tem menos chance de ter pancreatite!

Agora ver profissional de saúde compartilhar que 6 pessoas perderam a vida por causa das canetas… é mau caratismo ou burrice mesmo. Sério, não consigo entender.

Se esse post te tranquilizou, compartilhe.
Informação responsável salva mais do que o alarmismo.

As canetas anti obesidade viraram um debate moral.E isso diz muito mais sobre a sociedade do que sobre a medicação.E val...
13/02/2026

As canetas anti obesidade viraram um debate moral.
E isso diz muito mais sobre a sociedade do que sobre a medicação.

E vale pra profissionais da saúde também, tá cheio de profissional gordofobico! E as vezes eles nem percebem… mas são!

As canetas são revolucionárias por vários motivos, inclusive para ajudar você a identificar gordofobia ( e fugir dela: troque de nutricionista, personal, médico, se ele é “contra”)

Obesidade é doença crônica, multifatorial, hormonal, genética, ambiental e comportamental.

Não é falha de caráter. Não é escolha.

Quem trata como doença, entende tratamento.
Quem trata como culpa, critica os medicamentos.

E você? Já percebeu como as pessoas reagem quando o assunto é medicamento para obesidade?

Quanto o tratamento incomoda, o preconceito aparece.

👇 Quero ler sua experiência nos comentários.

Vivemos numa cultura que aplaude números sem perguntar o custo.Mas saúde não se mede só na balança.Se mede na energia,na...
12/02/2026

Vivemos numa cultura que aplaude números sem perguntar o custo.

Mas saúde não se mede só na balança.

Se mede na energia,
na função hormonal,
na relação com a comida
e na capacidade de sustentar resultados.

Nem todo emagrecimento é vitória.

Vitória é quando o corpo aguenta ficar, é corpo forte a longo prazo, sem correr riscos desnecessários para caber num padrão.

Afinal por que você quer emagrecer?

Você quer saúde… ou validação?

Se o cuidado começa e termina na aparência,
isso não é medicina — é pressão estética com jaleco.

E quem vive com obesidade merece muito mais do que isso.

Vi esse argumento numa palestra nos Estados Unidos, lá a luta é para que os planos de saúde, que fornecem para outras do...
10/02/2026

Vi esse argumento numa palestra nos Estados Unidos, lá a luta é para que os planos de saúde, que fornecem para outras doenças, forneçam também para obesidade.

A resposta foi simples: “porque é o certo a se fazer!”

A pessoa com obesidade hoje no Brasil que não pode bancar pelo seu tratamento e não quer fazer cirurgia bariátrica (ou não pode), não tem opção.

O que ela deve fazer? Pergunto a quem é contra, esperar vendo sua saúde se deteriorar dia após dia?

Quando é outra doença, o SUS trata.
Quando é obesidade, mandam “prevenir”.
Sério?

Prevenção constrói o futuro.
Tratamento salva o presente. Quando alguém está se afogando não é hora de ensinar a nadar, é hora de tirar ela da água!
Um sistema de saúde justo precisa fazer os dois: prevenção e tratamento medicamentoso SIM!

Negar tratamento porque é obesidade não é economia.
É preconceito disfarçado de discurso técnico.

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