10/12/2025
📌 Hipotermia Perioperatória
Colegas, a hipotermia inadvertida no intraoperatório (temperatura central < 36°C) é um achado frequente, mas suas implicações vão muito além do desconforto do paciente. A literatura robusta de revistas como a Anesthesiology e BJA nos alerta para um risco real e mensurável de desfechos negativos.
❄️ Consequências Relevantes:
▫️ Coagulopatia
▫️ Prolongamento BNM, agentes inalatórios e venosos
▫️ Aumento do risco de Infecção do Sítio Cirúrgico
▫️ Desconforto pós-operatório e estresse térmico
▫️ Tempo de Recuperação Prolongado na SRPA
🛡️ Prevenção Ativa é Eficácia Comprovada:
A normotermia deve ser um objetivo ativo, não passivo. A American Society of Anesthesiologists (ASA) recomenda:
1. Aquecimento Forçado por Ar (Forced-Air Warming): Gold standard para manter a normotermia.
2. Aquecimento de Fluidos: Volume >500-1000 mL ou em qualquer paciente pediátrico.
3. Aquecimento Passivo: Ajuda, mas é insuficiente isoladamente
4. Ambiente Cirúrgico: Temperatura ambiente (≥21°C) e minimizar a exposição do paciente.
🌡️ Quando Monitorar? A monitorização da temperatura central deve ser considerada rotina em qualquer procedimento com duração >30 min. É mandatória em:
· Cirurgias com duração > 60 minutos.
· Cirurgias com risco de grande perda sanguínea ou líquidos.
· Pacientes com risco aumentado (idosos, crianças, queimados, hipotireoidismo).
· Em anestesia geral e raquianestesia/perpidural de longa duração.
📍 Métodos de Escolha: As vias nasofaríngea, esofágica distal e timpânica (com sensor de proximidade) são as mais acuradas para refletir a temperatura central. A via axilar e cutânea são imprecisas.
Conclusão: Manter a normotermia é uma intervenção de baixo custo, alta efetividade e impacto direto na segurança do paciente e desfecho cirúrgico. A prevenção ativa e a monitorização adequada são marcadores de qualidade em anestesia.
Vamos normotermizar com protocolos!